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III Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
(Prêmio Francisco Igreja)


ANUNCIA O RESULTADO:
os 20 melhores textos, do Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro, que concorreram ao Prêmio Francisco Igreja / 2010 e foram apresentados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro, a partir das 16:30h, no Auditório Machado de Assis (entrada pela Rua México)

1º LUGAR: poema SOBRAS - Banaiote Gazal/RJ - Prêmio Francisco Igreja
2º LUGAR: poema ANÚNCIO - Ileides Muller/MS
3º LUGAR: poema TROCADOS - Renata Paccola/SP

Melhor intéprete: Banaiote Gazal

Troféu Francisco Igreja: Julio Terra, com o poema UTOPIA

Abaixo leia os poemas e saiba quem foi o Corpo de Jurados

Juri da seleção:
app Glenda Maier - presidente da APPERJ de 1996 a 2001. Cronista premiada pela UBE/RJ.
app Messody Benoliel - presidente-fundadora da APPERJ. Premiada internacionalmente.
app Mozart Carvalho - professor de Língua Portuguesa / Literatura, membro do Conselho Editorial da Revista Literária Plural.


app Glenda Maier; app Messody Benoliel; app Mozart Carvalho

n° de inscrição
poema
autor
UF
7
Costur...Ânsias
Luiz Poeta
RJ
16
Invernou-me o coração
Luzia M. Cardoso
RJ
21
Utopia
Julinho Terra
RJ
23
Antes do amanhecer
Julinho Terra
RJ
25
Capital sobre as ancas
Lucas J. Portela
BA
26
Vestir(despir) o rio
Lucas J. Portela
BA
44
Trocados
Renata Paccola
SP
60
Solidão
Luiz Gondim
RJ
61
Há tanto tempo
Maria A. Coquemala
SP
63
A tia louca
Luciana Falcão
SP
64
Anúncio
Ileides Muller
MS
78
Das contaminações
Igor Fagundes
RJ
85
Falando poesia
Américo Mano
RJ
87
Violação
Rita Gemino
RJ
88
Mesura
Rita Gemino
RJ
102
Sobras
Banaiote Gazal
RJ
105
Grito mudo
Luzineti A. Espinha
SP
107
Às origens
Luzineti A. Espinha
SP
116
Busca
Nathália Wigg
RJ
134
Cinzas
Marcelo Báfica
RJ

Obs: apperjianos que concorreram ao Troféu Francisco Igreja
Julinho Terra e Nathalia Wigg

Juri da classificação final:

Carmen Moreno - Poeta, ficcionista e professora carioca, recebeu prêmios em diversos gêneros literários, entre eles, o Prêmio Casa da América Latina (Concurso de Contos Guimarães Rosa), Rádio França Internacional, Paris. Membro do PEN Clube do Brasil. Publicações, pela ed. Rocco: O Primeiro Crime (romance policial); Diário de Luas (romance) e Sutilezas do Grito (contos). Pela ed. Five Star, O Estranho (contos); Loja de Amores Usados (poesia), Multifoco; De Cama e Cortes (poesia), UERJ. Seu trabalho integra várias coletâneas, entre as quais, a Antologia da Nova Poesia Brasileira, org. Olga Savary, ed. Hipocampo; Mais 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, org. Luiz Ruffato, ed. Record; Quem conta um conto – Estudos sobre contistas brasileiras estreantes nos anos 90 e 2000, org. Helena Parente Cunha, e A Erosão de Eros (dramaturgia), ed. RioArte. Sua obra foi tema de Mestrado, pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande, RS. Participa de recitais de poesia, congressos e projetos culturais do País. Seu conto Dora foi adaptado para o cinema e participou do Festival Internacional de Gramado 2009.


Edoardo Pacelli - Nasceu em Nuoro, Itália, Doutorado em Ciências curso de Química, na Universidade de Pádua, Pós-graduação na TECHNISCHE HOCHSCHULE de Munique, Alemanha. No Brasil desde 1988, ocupa-se de design, arquitetura de interiores e jornalismo. Em 1994, funda o periódico CLUB ITALIA-EUROPA, que se tornará, três anos mais tarde, ITALIAMIGA. Como pintor e desenhista, participou de várias exposições na Itália e, no Brasil. Em 2008 recebe a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, pelos méritos culturais. Este ano 2010 foi agraciado com Diploma e Medalha de Mérito Ambiental 2009, concedidos pelo Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, Centro de Literatura do Forte pela comprovada atuação na Preservação do Meio Ambiente, como escritor e radialista. Atuou em programas radiofônicos na Rádio Imprensa e Rádio Roquete Pinto. Publicou livros técnicos e de poemas bilíngue italiano-português: O VÔO DA GAIVOTA - IL VIAGGIO DEL GABBIANO, Editora Litteris 1991 e O POUSO DA GAIVOTA - IL POSO DEL GABBIANO, Jotanesi Edições , 1994. Participante de várias coletâneas poéticas e detentor de prêmios literários.

Tony Correia - Nasceu em Vale de Madeiros, Beira Alta – Portugal. Ator participou das novelas: Casarão; Locomotivas; Belíssima; Celebridade; Um Só Coração; Sabor da Paixão, todas na Globo, dentre outras. Participou também de diversos filmes. É palestrante, recebendo o Troféu Manager em Paris. Temas de suas palestras: Motivação, Comunicação, Liderança e Sustentabilidade! Foi agraciado, pelo Senhor Presidente da República de Portugal, com a comenda da ordem do Infante D. Henrique, no grau de comendador. Recebeu as insígnias das mãos do Sr Embaixador António Franco, em reconhecimento pela divulgação da história e da cultura portuguesa (2004).

 


app Mozart Carvalho, Edoardo Pacelli, Carmen Moreno, app Marcia Agrau, Tony Correia, app Sérgio Gerônimo

 

Resultado do III FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

 

COSTUR...ÂNSIAS
Luiz Poeta , RJ.
Inscr. 007

A agulha fere a solidão da roupa antiga
E a linha segue tatuando trajetórias
Todo o novelo se desfaz numa cantiga
De alguém que instiga a solidão de outras histórias.

A linha acaba...outro fio se projeta,
E os nebulosos olhos presos no passado
Não mais enxergam a passagem incompleta
Da agulha trêmula na mão...que a põe de lado.

Então, das cores do retrós de uma saudade,
A tênue linha...do pranto...costura ausências,
E reproduz num riso de felicidade,
A harmoniosa luz de antigas confidências.

Tecidos novos não combinam com antigos,
Mas na leveza delicada dessa mão
- Que move a trama – a solidão recria abrigos,
Em cada extremo que entrelaça um coração.

Quando um olhar mais infantil se interessa
Por cada peça que compõe o vestuário,
A mão que treme, vira a roupa às avessas
E recompõe na veste um novo itinerário.

A agulha acorda a união dessa mistura
De duas almas solidárias contemplando
A roupa nova, numa espécie de ternura
Que o coração, com emoção, vai costurando.

E o coração da tecelã de fantasias,
Como a textura de uma pétala de flor,
Acaricia a solidão com utopias
Num riso simples costurando a alma do amor.

INVERNOU-ME O CORAÇÃO
Luzia Magalhães Cardoso, RJ
Inscr. 016

Extensa é a rota...Eu rumo só...
Vestes poucas, rotas, vou absorta...
Nesse tempo tonto, tantos nós...
Mesmo qu´ínvente almas, estão mortas.
Eu sigo vazia...Todos os dias...
Esgotou-se o aroma primaveril...
As flores murcharam, sem rebeldias,
e o amor d´outrora já está senil.
Os gelos descem dos cumes dos montes,
e o sol, tão distante, não chega em mim.
É ácido o que entra em minhas fontes.
Frágil, a esperança se entrega, enfim.

São tão longos os dias desse inverno,
e o frio que sinto parece eterno.

 

UTOPIA - Prêmio Troféu Francisco Igreja
Julinho Terra, RJ
Inscr 21

Fui internado várias vezes nos hospitais das redondezas
sou viciado...
Sou viciado em SONHOS.
O doutor me diagnosticou assim.

Sair de mim e seguir os outros...
seria a cura.
Fazer sempre a mesma coisa...
seria o remédio.

O electroencephalogramma registrou umas ondas tão estranhas.

Mania de impossível
Fascínio pelo invisível
Tara pelo verbo acreditar
Dom em vir-a-ser
Desconfiança pelo limite
Ojeriza pela dúvida
Carinho pelo acaso
Paixão pela frase:Tente outra vez.
Gostar de brincar de faz-de-conta
Vontade de ser surpresa
E aquele sentimento contínuo de sentir o cheiro do amanhã...

 

ANTES DO AMANHECER
Julinho Terra, RJ
Inscr 23


Na horizontal de cada noite
o tempo
dorme abraçado
com a escuridão do sono...
Onde sem censuras
tudo acontece.
Onde se tece:personagem, história, alguma loucura.
z.z.z.z.z.z.z.z.z.z.z.z.z.z.z.z.....

Fora dele
um outro tempo
caminha em passos cadenciados:
tique-taque!tique-taque!tique-taque!

Na surpresa do susto
Ttriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmm...

O relógio, alarmou o amanhecer
antes do galo cantar.
O relógio, despertou o café da manhã
antes do coador.
O relógio, acordou o banho matinal
antes do chuveiro.
O tempo que dormia...não dorme mais.
O tempo que caminhava...não caminha mais.
O tempo agora corre...É PRESSA.

CAPITAL SOBRE AS ANCAS (a pele da Onagro)

“As irregularidades do sítio, porém, deformaram o quadrilátero idealizado na metrópole”
Milton Santos, O Centro da Cidade do Salvador

para Aziz Ab’Saber

Lucas Jerzy, BA
Inscr. 025


Dorme, a mulata,
filha de Oxum,
por sobre cuja
bunda cobre lençol de renda

portuguesa, a capital;
e, ainda que engomada,
se amarrota este tecido
vazado de igrejas e palacetes:

é que a negra, por baixo,
insubordinada, se agita,
em lascivos sonhos
de carnes-e-vales.

VESTIR(DESPIR) O RIO
Lucas Jerzy, BA
Inscr. 026

Vestir como quem despe-se
de ornamentos, e (não) se enfei(t)a
com excessos tafetás badulaques
miçangas
que encobrem o ser, travestindo sua arquitetura,
antes, como gatos,
vestir apenas a própria pele,
o próprio gesto, o andar impróprio
(estar displicentemente nu).

Despir como quem veste uma cidade
que é mais salão de baile do que vestido;
usar quase sem-roupa
(não usar cuecas sob as bermudas
ou meias sob os tênis;
aliás não usar tênis, nem bermudas,
mas chinela, sunga, ou nada
principalmente, não usar sutiã)
nem maquiagem, ou perfume;
perfumar-se apenas do salitre,
e no sol a única bijuteria;
como quem veste prédios despidos
alinhados lado a lado
como quem desveste florestas
e torços desnudos de montanhas.

 

TROCADOS - 3º lugar de melhor texto
Renata Paccola, SP
Inscr. 044


No afã de conquistar algum trocado,
há quem entregue o corpo e venda a alma
pelo seu dinheirinho abençoado
que o faz ganhar o pão perdendo a calma.

Abra as mãos para ver, maravilhado,
que uma fortuna cabe em sua palma,
porque nem sempre o rico é afortunado
e nem sempre a fartura nos acalma.

Há quem ganhe dinheiro por esporte...
Contudo, neste mundo tem mais sorte
quem conquista os amigos verdadeiros,

mas chegando aos momentos derradeiros,
faz um pedido a todos os herdeiros,
que, por favor, esperem sua morte!


SOLIDÃO
Luiz Gondim, RJ
Inscr. 060

E quando a chuva se fez oblíqua,
ela percebeu a inutilidade do abrigo...
Deixou-se molhar e tentou
apagar as pegadas da ausência.
Percebeu de forma aguda, implacável,
que solidão independe de companhia;
corpo gelado, combalido,
buscou consolo na alma: estava fria...
Percorreu labirintos de vazios,
fustigada por açoites de silêncio
intuiu a resultante das lacunas;
por fim, rompeu laços de seus fantasmas...

 

HÁ TANTO TEMPO...
Maria A. Coquemala, SP
Inscr. 061

Estou sentindo uma ponta de remorso...
Há quanto tempo não ouço a Sonata ao Luar?
Há quanto tempo não me encanto com Monet?
Faz tempo não ando pelo jardim
observando flores e insetos,
ajudando uma borboleta de asa partida
a se recolher numa flor.
Faz tempo não trago margaridas
para o vaso em cima do piano da sala...
Há tanto tempo não leio um soneto de Camões,
não volto ao Campo de Flores de Drummond,
não me encontro com Machado
para saber se houve mesmo traição de Capitu,
notícias do Enfermeiro, do Quincas, do Bacamarte
por quem estou sempre apaixonada.
Há quanto tempo não me encontro com Iracema,
aquela virgem dos lábios de mel e hálito de baunilha?
E com Ditinho, Miguilin e Diadorim?
Há quanto tempo não falo com você
mesmo sem nada pra contar, nada pra dizer,
nenhuma grande novidade na família...
Apenas pra dizer que o tempo passa, passa...
Não o prazer de falar com você.

À TIA LOUCA
Luciana Duarte Falcão, SP
Inscr. 063

Será resposta à minha loucura,
os olhos de minha tia Ruth?
Sua distância felina?
Seu ar de abandono e descaso?
Procuro num vão do tempo
a história de quem se perdeu...
De quem saiu do mundo.

Tia Ruth tem paz...
Não lhe pesam os dias cinzentos,
os seres opacos...

Para ela não houve Vietnã.
Nem revolução.
Nem televisão.
Não viu a chegada do homem à lua,
nem assistiu aos discursos de ditadores insanos.
Alheia a tudo, tia Ruth
faz sua dança silenciosa,
em seu quarto de louca.
Primeiro ato: a perfeita.
Segundo ato: a revolta.
Terceiro ato: a loucura.
E no quarto...
No quarto, o silencioso ato,
de quem desistiu de tudo.
Tia Ruth – a louca, a esquisita,
em sua louca dança conserta
o vai-e-vem desta vida.
Vida mais louca que ela.
E, como ela, de nós esquecida.

 

ANÚNCIO - 2º lugar de melhor texto
Ileides Muller. MS
Inscr. 064

Procuro palavras desempregadas
A ponto de esquecimento
Sobras eruditas de Idade Média
Inúteis para o abandono
Podem ser velhas, desajeitadas
Sem postura nas passarelas literárias.

Procuro palavras baldias
Descascadas pelo vento
Acometidas de musgos e insetos
Entulhadas de silêncio
Podem ser tristes, vazias, tortas,
Doentes até...Não importa.

Procuro palavras desocupadas
Dessas que andam por aí
Dormindo em bancos de praças
À espera de não sei quê
Podem ser contraventoras, anormais
Das que abrem desvios nas normas gramaticais.

Não exijo experiência, nem boa aparência
Mas hão de passar por teste de escutação.

Procuro palavras
Para emprego vitalício
Na construção de um poema.

DAS CONTAMINAÇÕES
Igor Fagundes, RJ
Inscr. 078


esquece a intimidade, essa estrangeira: o poema
não nasce de porões, de sótãos de algum corpo
não fosse o aberto, sem medidas, sua essência
e nunca acima, nem abaixo, este infinito –
o abismo em que repousas entre poros ínfimos
de tudo-casca-sobre-casca-e-nada-dentro
enquanto em faca te vasculhas e uma lágrima
te inunda tal cebola em que tu és, sem centros

esgarça todo tipo de contorno; a pele
afia-te na errância e se desfia a unir
distâncias, pões o céu na ponta de uma língua
espera a noite beber sol entre teus becos
as bocas queimam hálitos de seios, sábados
te provam púbis, atravessas túneis, úteros
de Vênus pelos óvulos do espaço, espasmo
de Mercúrio, astro ou deus, ou átomo em tácito
barulho de molécula, onde o ego é fécula
do bário, bromo, cálcio, cromo/somos, genes
do caos e cosmos cuja química é a gente

imuniza-te, enfim, da imunidade: o imã
do ar às narinas traz o vírus deste instante
em outro, radioativo como o ser a vir
que sempre morre para vir a ser-te, e vive
igual à voz de um pai, eternizada ao tímpano
em ti o umbigo não se faz cordão rompido
das barrigas do barro: no princípio, o verbo
te gesta – quantos dão à luz a sombra tua?
parida a bomba, poema sem assinatura


FALANDO DE POESIA
Américo Mano, RJ
Inscr. 085


Uma rosa.
simples e intocada...
moldando-se com cautela,
surge feito uma pedra,
em contorcida existência;
fluindo a aparência,
torna-se
água,
e
s
c
o
r
r
e
n
d
o
em
pleno exílio...
mas alterando seu feitio,
revela-se como terra, perfumada e vistosa,
conduzida por espinhos e pétalas, novamente, a se recompor uma rosa.

 

VIOLAÇÃO
Rita Gemino, RJ
Inscr. 087


Tenho escondido
No céu da minha boca
Um beijo teu
Que nunca me foi dado

Trago secreto no peito
Um amor violado,
Daquele que não dói...
Que não sofre...

Não abala...
Mas...castra.

Mantenho fechados nos olhos
O fogo de uma lágrima,
A veste no vento aberta,
O final de um credo.

Guardo trancados na alma
Dois corpos num dissimulado ato,
Uma palavra obscena nos lábios...
O teu amor sagrado.

 

MESURA
Rita Gemino, RJ
Inscr. 087

Flor branca derramada no muro
roubada em plena luz do dia

O roubo era mesura
de quem não tinha tostão.
Por isso pulava o muro ou afanava no escuro
flores brancas para os meus cabelos.

Nunca meus cabelos ficaram tão cheios de anos.

Ontem vi uma daquelas flores brancas.
Derramava-se pelo muro como dantes,
mas o tempo não era o mesmo.
A face não se descobriu pétala,
não via o corpo feito de caule
e não tinha brisa, nem folhas no alento.

Então... Fiz um poema branco
para enfeitar o meu cabelo.
Desencostei-me do muro,
entrei na floricultura,
comprei um cravo vermelho
e deixei que ele chorasse meu pranto.

SOBRAS - Prêmio Francisco Igreja - 1º lugar de melhor texto
Banaiote Gazal, RJ - Melhor Intérprete do III Festival de Poesia Falada/RJ
Inscr. 102


Procurei tua voz nos cantos da casa
apenas lembranças de tua presença no jantar de ontem,
sobras na garrafa de vinho.

No quarto de dormir
alguns testemunhos do amor que nos deixou extáticos.

Entretanto a manhã tão ansiada
me encontrou sozinho

Inconformado, guardei o que ficou do jantar no armário da cozinha!
O resto da bebida deixei tampado na garrafa.

Á procura de tua imagem
Revirei gavetas, resgatei pedaços de histórias
Destroços de frias madrugadas,
Detalhes. Tempo adversos.

Por fim consegui te encontrar na mansidão quieta
De antigos poemas
Estavas lá nas sombras dos meus versos,
Na minha solidão de poeta sem carinho.

Que ficou apenas com as sobras do jantar
E com os restos de meia garrafa de vinho.


GRITO MUDO
Luzineti A. Nunes Espinha, SP
Inscr. 105


Estes silêncios que permeiam...
Fazem muito mais eles do que um
deus místico._ Nunca lhes perguntei
sobre o amor._ Não ousaria ferir-lhes
os ouvidos._ Nenhum direito hei de
reclamar. Na roda, o primeiro e o último
é um instante de lugar._ Já não dá mais Tempo._
Não sou senhora deles, nada
enho ao alcance do olhar._
Só das mãos.- Desculpem-me
esse impulso. Eu
preciso falar
os segredos
que direi
baixinho
ao pé
do cálice._ Sozinho._ Bebo-o
o meu último._ Saúde!

ÀS ORIGENS
Luzineti A. Nunes Espinha, SP
Inscr.107


Sucumbi;
Chafurdei-me;
Conspurquei-me;
Coabitei com os exus
Des
ci
Tropecei em mim,
Perdi-me de vista
E continuei a
des
ci
da
Até avistar-me
entre os quadrúmanos
Má e caca.


BUSCA
Nathália Wigg, RJ
Inscr. 116

Permite que nos ecos desse grito
Eu encontre um amor contido.
Posso esperar pelo silencio,
Enquanto tuas farpas me retalham...
Tua língua é adaga flamejante
E a única ponte entre o nosso abismo.
Espero, percorro, dilacero...
Em busca do teu viço.

O medo que te consome
Não se revela em palavras,
Finge que some...
Se esconde, escapa.

Sombras oscilam ao redor,
E a labareda do ódio
É tudo o que consegues ver.
O sangue que percorre as tuas veias
É álcool pressagiando incêndio.
(Torna-te vítima de um suicídio velado...)
Persisto! Teus sonhos mantêm os meus vivos...
Lanço-me nas chamas para salvá-los.
Me arrisco...E risco no céu da tua boca
O quanto meu desejo pulsa.
Silencio tuas palavras pontiagudas,
E sugo o néctar de algum afeto...
Em busca de um atalho,
De um abrigo secreto.

 

CINZAS
Marcelo Báfica, RJ
Inscr. 134


Com isqueiro descartável
Fiz uma bola de fogo
E queimei os lírios
Escurecidos

As emanações do gás
Deixaram forte a chama
Ateei fogo na cama
Para que destruísse

Com oxigênio
O chão ficou todo em brasa
Evaporou o seu perfume
Enquanto a chuva não vinha

Com entonação de murro
Fulminei a madrugada
Atirei tudo na vala
Os tijolos quebrados do muro

Cuspiram em mim
Destinaram-me o vento
Mas a partir deste momento
Não há mais vestígio das páginas.

 

Outras informações pelos tel: Márcia Leite (21) 2447-0697 / Sérgio Gerônimo (21) 3328-4863.
Apoio cultural: www.oficinaeditores.com.br
Site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO

I FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

II FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

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