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VII Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
(Prêmio Francisco Igreja)


ANUNCIA O RESULTADO
Abaixo os 20 melhores textos, seus autores e intérpretes no VII Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro, que concorreram ao Prêmio Francisco Igreja / 2014 e que foram apresentados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no dia 26 de setembro de 2014, a partir das 17:30h, no Auditório Machado de Assis

Juri da seleção dos 20 melhores textos:

app Jorge Ventura - Diretor da APPERJ, ator, jornalista/publicitário.

app Márcia Leite - Diretora da APPERJ, blogueira, webeditora de Deleite's,
produtora cultural do evento Todas Elas & Alguns Deles.

app Mozart Carvalho - vice-presidente da APPERJ, professor de Língua Portuguesa / Literatura,
membro do Conselho Editorial da Revista Literária Plural.

app Jorge Ventura; app Márcia Leite; app Mozart Carvalho

Juri da seleção dos 3 melhores textos, Melhor intérprete e Troféu Francsico Igreja:

Blecaut Jr - Carioca residente em Maricá/RJ. Cantor, modelo , compositor, produtor de novela e produtor musical. Blecaut Jr (é filho do inesquecível Blak-out "Famoso General da Banda"), seu repertório é o melhor do samba e da MPB, toca e canta por todo Brasil.

Estrela Igreja - Carioca. Bibliotecária. Sobrinha de Francisco Igreja.

Gilda Souza Campos - Diretora Cultural da UBE-RJ; Diretora Cultura da Ac. Nacional de Letras e Artes; Vice-presidente da Ac. Internacional de Letras . Membro do Instituto Brasileiro de Cultura Hipânica, do PEN Clube do Brasil, da Sociedade Argentina de Letras, Artes e Ciências. Livros publicados: Tudo é Verso; O Brasil é Poeta (Português e francês). Foi aceito na biblioteca do Vaticano e Harvard ; 50 poemas escolhidos pelo autor e Devaneios (no prelo). Detentora  das honrarias: Medalha de Ouro Brasil França Jean Paul Mestas UBE; Medalha de Ouro Olavo Bilac – Federação das Academias de Letras; Medalha D. Pedro II; Medalha Juscelino Kubitschek; Medalha Carlos Drumond; Dama comendadora da Ordem de Letras e Artes.

Blecaut Jr; Gilda Souza Campos; Estrela Igreja

Selecionados / classificados em azul

classificação
poema
autor
intérprete
UF
 
Barulhinhos

Wladimir M. Santos

autor
MG
3º lugar
Espelho
Banaiote Gazal
autor
RJ
Pedra sobre pedra
Geraldo Trombin
app Gladis Lacerda
SP
O sarau dos pirilampos
Jorge Cosendey
autor
RJ
Tapera
Ileides Muller
app Ilka Jardim
MS

Troféu Francisco Igreja

Lição
Luiz Otávio Oliani
autor
RJ
Poesia II
Blener Dumont
app Amalri Nascimento
RJ
2º lugar
Sem asas borboletas
Marcelo Gomes Jorge Feres
app Sandra Frnandes
RJ
5 de maio
Roberto Solano
autor
RJ
Humano

Wladimir M. Santos

autor
MG
Pindoba

Wladimir M. Santos

autor
MG
A visita
Banaiote Gazal
autor
RJ
Rara sedução
Luiz Poeta
app Neudemar Sant'Anna
RJ
Injúria
Rita Gemino
autora
RJ
Suçuarana
Bernardo Miller
autor
RJ
Madrigal silente
Bernardo Miller
autor
RJ
1º lugar
Piscina de alegria corrente
Eliane Silvestre da Costa
Bruno Estrela
DF
Melhor intérprete
Aldeia
Eliane Silvestre da Costa
Áurea Liz
DF
 
Às vezes
Jósa Jasper
autor
RJ
 
Avessos e direitos da Emíliator
Amélia Luz
app Katia Pino
MG

Obs: Troféu Francisco Igreja,
apperjianos que concorreram: Jorge Cosendey, Luiz Otávio Oliani.

 

Selecionados do VII FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

barulhinhos
Wladimir Moreira Santos
Belo Horizonte/MG

garoa
                   oa
                                      oa
                                               oa
                                                                  oa               oa...
                                                                                                       no
                                                                                     mato
                                                                  ato
                                               ato
...ato           ato
cigarras      vibram        asas
                            cricam
    grilos                                                     gramas
                   a coruja                         longe                                       ecoa
     a     noite                           amanhecendo

você                              o       vinho
a          lua                         na                    varanda      da      noite
reclamam    histórias     um bom repasto
                                                   n o ss o s      co  r  p  os      e m b  a  r a l   h ad  o s.       

 

 

 

ESPELHO  - 3º lugar
(Lembrando Cecília Meireles)

Banaiote Gazal
Rio de Janeiro/RJ

Já que é assim
Quero de volta
O espelho onde eu ainda
Não tinha envelhecido

Dou-me conta
Que o tempo escorreu
Sobre minhas angústias, ansiedades, esperanças.
Vejo-me no espelho de agora

A sombra da sombra do que fui,
Cristalizada nos longes.
Olhar corrompido de esperas

Quero de volta o espelho
Onde me perdi
Nos guardados dos meus olhos de criança.

 

 

PEDRA SOBRE PEDRA

Geraldo Trombin
Americana/SP

A pedra no meu caminho
̶  Que furo, que desalinho!  ̶ ,
Foi parar no meu sapato

A pedra no meu sapato
̶  Como um chato carrapato!  ̶ ,
Foi grudar lá no meu peito.

A pedra lá no meu peito,
̶  Que desaforo, despeito!  ̶ ,
Ali, não teve mais jeito.

 

O SARAU DOS PIRILAMPOS

Jorge Cosendey
Rio de Janeiro/RJ

Naquele alvoroço na langue & parole dos pirilampos
Uma centelha distinta surgiu através do portal aberto
Ali repentinamente no seio da noite
Seres de brilhos e encantos
Em círculo, descargas elétricas, raios azuis e brancos
Besouros em pisca-pisca emitiam som quadrante
Uma espécie de verve em alegre dança no ritmo de sarau
A simbiose perfeita em sintonia com aquela magia foi num instante
Letras multicoloridas flanavam formando tecidos fragmentados ao luau
Do outro lado um espelho refletia o acasalamento delas
Os filhos em forma de led reluziam recebendo as gotas de sereno
Assim naquela perfeita harmonia já em grandeza de aquarela
Os versos soltos apareciam ditos pelos insetos de luz e pequenos
Esta noite foi a mais linda do poeta submerso em pura emoção
Todos os criadores de sonhos e fantasias reluzentes na alma
Anseiam sentir a plenitude quente dessas flechas no meio do coração
E quando acontece ele se entrega plenamente nesse mergulho
Tece sorrateiramente evaporando-se da vida real
Fuga loquaz do barulho e do mau
Visualizando criaturas luminescentes para se tornar num ser tal qual
Anunciação ao alívio à cruz de cedro que carrega
A garantir no porvir momentos de serenidade
Em jus do principal motivo desse ser que é encantador
Eis que a veia plena da fantasia chora serena
Onde houver guerras, onde houver discórdia, onde houver ironia
Com sua sutileza peculiar ele levará sempre a poesia

 

 

TAPERA

Ileides Muller
Campo Grande/MS

 

Plantada na paisagem
tapera se alimenta de tempo
guarda esquife de horas
exala silêncio...

Por dentro,
fantasmas exercem arrepios.
Por fora,
abandono sobe pelas paredes.

 

 

Lição - Medalha e Troféu Francisco Igreja

Luiz Otávio Oliani
Rio de Janeiro/RJ

 

a força da palavra
está na adaga
que me assassina

a força da palavra
está no punhal
que me trespassa

a força da palavra
está no revólver
que me liquida

a força da palavra
está no canivete
que me sangra

a palavra
dispensa artefatos de fogo
armas brancas
qualquer utensílio
que cause dor

a palavra
também
é flor

exige apenas
sabedoria
de quem a usa

 

POESIA II

Blener Dumont
Rio de Janeiro/RJ

 

É me deletar sempre que estou morto
o corpo se esvai na trilha do vento
e alma na superfície do tempo.
Poesia não é truque não é mágica
não é milagre nem tampouco
ilusão de ótica e sim a verdade
nua visivelmente intocável.
É fio tecendo nomes
é sol pintando flores
é chuva vazando lembranças
batucando enredos amamentando a terra.
É como deslocar o surreal para o real
levar o finito para o infinito.
Poesia tem vida própria falando fundo
e mais fundo é poder ouvi-la nesta mundo.

 

 

SEM ASAS BORBOLETAS - 2º lugar

Marcelo Gomes Jorge Feres
Rio de Janeiro/RJ

O enigma do sofrimento fez a lagarta enclausurar-se,
E sonhando ser uma linda borboleta, renunciou a ela mesma.
Travestida e suarenta, despojou-se por inteiro,
Simplesmente, morrendo, e voou finalmente,
Após o fastio do arrastar-se inutilmente.
Também, o enigma da vida, arrastou-se humanamente,
De sobre o planeta, e por milênios.
Mas o espírito-borboleta, em metamorfoses sofridas,
Deixou, tantos seres, já expostos a si mesmos  ̶  e cansados e renascidos.
Ah! Voem! borboletas!
Criem casulos! em sábias poesias!
O que mesmo importam essas dores horrendas?
Pois, de que nos valem os mundos conquistados,
Se nos arrastamos, lagartas!
E sem asas, borboletas?

 

5 de maio

Roberto Solano
Rio de Janeiro/RJ

Um sol costureiro rasga minha cortina
A manhã virando claridade na retina adormecida
Sábado de sol, mês de maio, ano 2012
Acordo tonto, sem acordar, acordando...

Abro janelas vendo o frio penetrar a casa
Finjo não ver lá fora para não me despertar
Quero sentir o torpor do meu sono ainda vivo
Estou meramente de pé com a mente acamada...

Agora não posso mais fugir do apito da chaleira
É manhã de Maio e tento coragem para ver o céu
O céu que vai adentrar no coração cansado, triste
Ele está lá, imponente, me esperando, calmo e tranquilo

Agora sou eu! Um só desperto, preparado para o embate
Levanto a cabeça e vou até a janela aberta, na visão maior
Na mais linda cor de azul, recém lavada pelo orvalho em noite fria
Lá está a minha alegria , maior! A esperança em forma de cor: azul

Não é azul comum, nem do mar, nem das flores atrevidas, nem azuis talvez
Ele é algo que penetrando os olhos vai se dissolvendo em outra cor maior
Maior que o céu, mero pano de fundo, e do mar, seu admirador eterno
O azul de Maio! O único e venturoso! Indescritível na manhã clara portenha

Venha ver-me todos os anos dessa vida de tantas cores
Socorra aos que têm coragem de te entender traga passarinhos
Mas volte, volte sempre salvando minh'alma Carioca

 

 

Humano

Wladimir Moreira Santos
Belo Horizonte/MG

 

Os limites
                   da               palavra
                   a        palavra                sem             limites
a
         palavra
                                       limite
a
         palavra
                                                                                                                              no limite
                                      transpõe
                                                                           e
                                                                                                                          aprisiona

 

Prisioneiro
                   sou
                                      dos versos livres
                                                                  da minha vida
                                                                           da minha lida
                                                                                     da minha fortuna.

  

 

 

Pindoba

Wladimir Moreira Santos
Belo Horizonte/MG

Silente
                                      desliza
                                                                                              nem folha se move
                                                        o vento parou

 

O                v       o       o
b   o t   e   ia                  na      moita
         o salto                  e                           c                                             p
                                               s                                    a                                    a

                                                                                     na
                                                                                                       água
                   Pindoba               rente                    se empina
                            tesa                               vigília

Cabeça de fora
                            impávida
                                                     serpeia na água
noutra beira                                                                           o                 bote
                                      arma
pulsa
assustada
                                                                                                       a presa
segundos                                          guardam                        horas

 

O                v       o       o
músculos                                          tragam                                    a presa
                                                        desliza
hibernará             nalgum                                             buraco       da      mata.

 

 

A VISITA

Banaiote Gazal
Rio de Janeiro/RJ

 

Coberta pela poeira do tempo
Marcada de espanto,
Avançou pela vereda de pedra

Não se importou com os latidos do cão.
Era seu conhecido.
O sapato resvalou no cascalho.

Da cadeira esperei
A batida da aldrava.
Não precisava, lembrei
Jamais devolvera a chave.
Entretanto, como sempre
Estava de passagem.

Envelhecera,
Olhar carregado de silêncios.
Tanta coisa a dizer!
Vestida de lembranças
Parou no umbral da porta.
Avaliou a distância do tempo escorrido entre nós

Retornou pelo caminho das lembranças!
Perdeu-se na noite!
Jamais nos vimos outra vez

 

 

RARA SEDUÇÃO

Luiz Poeta
Rio de Janeiro/RJ

No sonho que te sonho tu passeias...
Bucólica, vestida de luar
Diamantes cintilando nas bateias
Do céu... e eu perdido em teu olhar.

Enfeitas meu amor com teu sorriso,
Teu riso desafia a alma da flor
Que brota nos jardins do paraíso,
Narciso até te olha... com amor.

No sonho que te sonho, tu me fitas,
Bendita com teu jeito de princesa...
Afago os teus cabelos... não me evitas,
Bonita... enfeitando a natureza...

Afetuosamente tu me tocas,
Evocas mansamente meus desejos;
O orvalho nos meus olhos não retocas,
Preferes completar-te nos meus beijos.

A fonte cristalina te espelha
Querendo te sentir sem te tocar,
A árvore mais forte se ajoelha,
Na intenção de mais te admirar...

As flores se abrem à tua passagem,
São pajens do esplendor que tu possuis;
Teus gestos se completam na paisagem
E aos poucos nos meus sonhos te diluis.

Então, com o mesmo amor que te criara,
Na avara intenção de te amar,
Construo, na emoção que te repara
A rara sedução de te sonhar.

 

 

INJÚRIA

Rita Gemino
Rio de Janeiro/RJ

 

Visita esguia,
Deslumbrante como
A folha seca
Sobre a água
Doce de um rio.

Traz os cabelos negros
Em tranças finas,
Como o negrume
Das portas dos sítios.

Seu corpo
Parece pera fresca,
Pronta para o consumo
De boca seca
Do catador de cana.

Suas curvas
São estradas
Que todos conhecem,
De onde o campo se afasta.

Os olhos baixos, de retinas cinzas,
São lenhas de sobras queimadas,
E sua mãos, em duas fitas atadas
Pousam nos seios arfantes
Como Nossa Senhora Imaculada.

 

 

suçuarana

Bernardo Miller
Rio de Janeiro

A fome doeu no olho da onça,
quando o roedor escapuliu de sua presas.
Dilacerá-lo, em recolhimento.
A noite insensível, úmida, seca;
a grande noite do trópico
não tem luar, estrela, termo.
Nem luz o olho do animal.
Sua fome o define.

 

                            (A morte, felina, surpreendeu-o pelo dorso:
                              agil, sinistra. Mordia coma gana
                              dos carnívoros exaustos
                                      ̶  uma dor inerte, sufocada, os olhos abertos.
                                                                           Morreu como um cervo.)

 

 

 

madrigal silente

 

Bernardo Miller
Rio de Janeiro

 

                                               (em ti o encontro de altíssimos decibéis
                                                com a flora de Jardim
                                                          em ti personagens russas enfileiradas
                                                          na geométrica paixão
                                                 em ti o autorretrato da medida angústia
                                                 no traço de Segall)

 

                   ̶  Não acordes ainda.
                     Guardei as últimas noites de teu sono, e agora
                     vejo que é cedo ainda.
                     Há uma manhã mais bonita à tua espera,
                     que ainda não veio.
                     Velo por tua nova jornada porque mereces
                      o pão novo do dia.
                      Teu sono é meu alimento.
                      Eu te oferecerei o nosso lindo dia, meu amor.

 

 

PISCINA DE ALEGRIA CORRENTE - 1º lugar

Eliane Silvestre da Costa
Brasília/DF

 

Não! Não dou conta mais!
De amores que se acabam,
De dores que nunca acabam,
De esperar no hoje o jamais,
De sabores não provados,
Dissabores estagnados.
De amores que duram doentes,
De esperar o amor ausente.
De em doença d'amor estar presente
E ver morte de quem menos queria.
Quero trazer a luz do dia
Para a minha noite interna.
Quero, sabendo-me eterna,
Resplandecer em poesia.
Escolher
Dis-sol-ver
Alegria com um conta-gotas,
Na minha e nas outras bocas,
Um pingo a cada dia.
Pouco a pouco, para ter sempre.
Ser piscina de alegria corrente...

 

ALDEIA

Eliane Silvestre da Costa
Brasília/DF

 

Hoje, estou me sentindo uma aldeia,
Por onde não passa multidão.
As  ruas são todas de areia,
Mas quem precisa delas para pisar?
Vive-se com os pés fora do chão.

Uma velhinha espreita pela janela...
Vê-se poesia no olhar dela.
Poesia que logo escapa, não quer alento.
Quer brincar de pique com o vento,
Sai a poesia, ligeira, correndo por cada ruela...
Salta a rede, encardida, da varanda,
Esconde-se do vento. na dança da palha que trança,
Depois mistura-se na areia do caminhãozinho carregado,
Com o qual brinca uma criança...
O vento a encontra, mas não acaba a brincadeira.
Ela se transforma em cheiros, em poeira.
Abriga-se no cheiro do mato,
De refogado de panela de barro,
De fruta, de flor, do que for...
Também no cheiro que vem da cesta,
Artefato do ciclista vendedor,
Vende tudo que é doce.
Adoça a vida, como se preciso fosse.

Eu-aldeia estava a dirigir.
Parei o carro para escrever,
Para não deixá-la correr.
Poema não pode fugir.
̶  Se foges de mim, poesia,
Fico mais perto do fim.

Melhor intérprete Áurea Liz

 

 

ÀS VEZES...

 Josa Jásper
Rio de Janeiro/RJ

Às vezes, nem sempre... por vezes, contudo,
me ponho a pensar, quase extático, mudo,
se sou mais humano do que toda gente.
Dos outros recolho verdades e enganos,
mas, se mal começo a falar dos meus planos,
descubro, frustrado, um feroz oponente!

Às vezes, só quero parar de pensar.
Pensar sobre o quê? Tento priorizar
e há nobres pensares que eu nem priorizo...
Por mais que eu divulgue o que o mundo me inspira,
perdido no mundo, que me tange a lira,
disputo os aplausos, dos quais nem preciso!

Às vezes eu penso: por que fui criado?
Por que ter presente, futuro e passado?
Não era o bastante não ser existente?
Por que tudo passa e não fica parado?
Por que tanto encanto num mundo apressado,
se encaro o amanhã, mas não vejo o presente?!

Às vezes, na vida, a ledice é fingida,
pois, sempre que eu chego, já sinto a partida,
num riso ocultando os momentos tristonhos...
Por mais que eu deseje progresso na vida,
prefiro a rotina que a vil despedida,
que, ousada, me atrela a pedaços de sonhos!...

 

 

Avessos e Direitos da Emília

Amélia Luz
Pirapetinga/MG

Saiu de duas mãos negras, quase escravas,
e de um sorriso meigo num rosto de África...
Alguns trapos coloridos
os cabelos em algodão negro desfiado
e macela perfumada para rechear.
Assim nasceu a extravagante Emília,
muda, olhos arregalados de retrós!
Uma dose de pílula falante desembesta a falar,
autoritária, arrogante e birrenta!
Malcriada e teimosa é egoísta,
muito esperta nas suas estripulias...
Tirana e interesseira observa tudo
tão pequenina como toda boneca de pano.
Anda pelos arredores à cata de novidades
carregando a sua canastra, (seu tesouro),
cheia de bugigangas que vai recolhendo
quando nas suas muitas atrapalhadas.
Não se sabe se é gente ou boneca,
levada da breca é temida por todos
vivendo a fantasia da sua criação.
Figurinha surreal centraliza as atenções
esbanjando suas asneiras com convicção!
Suas histórias são cheias de mistérios
que vão além da imaginação...
Assim, vive a liberdade ao sabor da sorte,
Recriando a alegria da vida rural.

                                                

Outras informações: Sérgio Gerônimo apperj@apperj.com.br
Apoio cultural: www.oficinaeditores.com.br
Site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO

Arquivo histórico:
I FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

II FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

III FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

IV FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

V FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

VI FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

 



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