www.apperj.com.br
site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO
VI Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
(Prêmio Francisco Igreja)


ANUNCIA O RESULTADO
Abaixo os 20 melhores textos e seus autores no VI Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro, que concorreram ao Prêmio Francisco Igreja / 2013 e que foram apresentados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no dia 17 de outubro de 2013, a partir das 16:30h, no Auditório Machado de Assis

Juri da seleção dos 20 melhores textos:

app Glenda Maier - Diretora da APPERJ/Tesoureira, professora de inglês, jornalista.

app Márcia Leite - Diretora da APPERJ, blogueira, webeditora de Deleite's,
produtora cultural do evento Todas Elas & Alguns Deles.

app Mozart Carvalho - vice-presidente da APPERJ, professor de Língua Portuguesa / Literatura,
membro do Conselho Editorial da Revista Literária Plural.

app Glenda Maier; app Márcia Leite; app Mozart Carvalho

Juri do encerramento e o resultado final

Lucia Regina de Lucena; Marly Prates; Vânnia Barboza

Lúcia Regina de Lucena - advogada, declamadora e poeta. Inovou a maneira de interpretar poesia e criou o roteiro poético musical onde utiliza recursos teatrais para a apresentação de seus espetáculos. Tem se apresentado em Teatros e Espaços Culturais no Rio de Janeiro e em outros Estados. Foi a primeira declamadora a apresentar espetáculo de poesia em boate, no RJ. Como poeta lançou o livro “Canto Necessário”.  Tem recebido muitos prêmios, dentre eles o “Troféu Nacional Bola de Ouro”; a Comenda da Ordem Cultural Bernardo Sayão e “Mulher do Ano” pelo Conselho Nacional de Mulheres do Brasil. Preside o Salão de Poesia e Artes do Rio de Janeiro, a Academia Nacional de Letras e Artes e a União Brasileira de Escritores - UBE/RJ.

Marly Prates - Contabilista, estilista de modas, declamadora diplomada pelo Curso Olavo Bilac, Rio de Janeiro. Diretora do Curso Via Láctea, de Arte de Dizer. Declamadora e poeta premiada, integra o Grupo Nuance e a Associação Niteroiense de Escritores/ ANE. Participa da Oficina Literária Neusa Peçanha. Figura nas antologias: "Niterói Faz e Diz Poesia", 1986; "Nós", 1990, poesia. Poemas publicados em periódicos de Niterói e Campos (RJ). Em 1993, criou, em Niterói, o Espaço Cultural José Prates. Participou, também, da antologia "Água Escondida", de Neide Barros Rêgo.

Vânnia Barboza  – é natural de São Paulo. Sua facilidade de leitura e apresentação a levou para o palco da TV muito cedo, e isto  foi decisivo  ao batalhar por uma  profissão na qual pudesse expor e expressar a palavra... É Radialista! Trabalhou em  banco, agências de publicidade,  assessorias de imprensa... Convivendo com grandes nomes da literatura e da publicidade como  Mauro Salles aprendeu a ver, ouvir e escrever  sem censuras... Buscou  estudar um pouco  a norma culta no curso de Letras Português- Literatura. Participa  de capacitações e workshops para rádio. Também  trabalhou com empresas de editoração e arte. Recentemente formou-se em Teatro e Dublagem.  Membro fundadora e atual presidente da  AACLIP - Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá. Membro efetivo da  ABRACE - Arcádia Brasílica de Artes e Ciências Estéticas, onde ocupa o cargo de Diretora Social. Também é membro honorária da Artpop Cabo Frio/RJ e  da Alab, Buzios/RJ. Voltar ao Rádio e à TV novamente também constam de seus planos.

 

Selecionados / Classificação

poema
autor
UF
Uma mulher
Jorge Cosendey
RJ
Abecedário da vida
Jorge Cosendey
RJ
O tapete
Reginaldo Costa de Albuquerque
MS
Contrastes
Maria Aparecida Coquemala
SP
Noite única (3º lugar)
Maria Aparecida Coquemala
SP
A loba da estepe
Maria Aparecida Coquemala
SP
Desencontro
Luiz Gondim
RJ
Frenesi
Luiz Gondim
RJ
O ato
Ari Lins Pedrosa
AL
Às duas e meia da madrugada
Luiz Carlos de Moura Azevedo
SP
Facetas
Maria do Carmo Bomfim
RJ
Jardim Vermelho
Celi Luz
RJ
Azul
Rosane Miranda
RJ
Anjo
Rosane Miranda
RJ
Amor eterno
Teresa Drummond
RJ
Coração de macela (1º lugar)
Tatiana Alves
RJ
Tecedura
Rita Gemino
RJ
Disfarce
Rita Gemino
RJ
Somente ela (2º lugar)
Américo Mano
RJ
Autor
Américo Mano
RJ

Obs: Troféu Francisco Igreja, recebido pela appTatiana Alves
apperjianos que concorreram: Jorge Cosendey, Ari Lins Pedrosa, Maria do Carmo Bomfim, Celi Luz, Rosane Miranda, Teresa Drummond e
Tatiana Alves

Melhor intérprete app Gladis Lacerda, com o poema NOITE ÚNICA, de Maria Aparecida Coquemala

Selecionados do VI FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

 

UMA MULHER
JORGE COSENDEY
Rio de Janeiro/RJ

Eu quero uma mulher boa
Eu quero uma boa mulher
Eu quero uma mulher!

Eu quero uma
Umazinha
Uma mulherzinha
Boa demais!
Muito boa!
Eu quero
Eu
         Uma

Eu quero uma mulher só
Eu quero uma só mulher
Eu quero uma mulher só pra mim
                            Só

 

 

ABECEDÁRIO DA VIDA
JORGE COSENDEY
Rio de Janeiro/RJ

A certeza estava bem nítida e reluzente
A entrega repicava elétrica e fisicamente
A alta pressão acelerava o coração e a mente
A palavra que saía dos lábios era sussurro
A alma habitava bem lá nos braços do horizonte
A inspiração batia rente à fronte, bem em frente

Bom mesmo é essa lembrança que salga o paladar
Brinca com a saudade e o peito arde
Bate forte e inunda os olhos e desce pela face
Boca recebe os fios finos formando duas paralelas

Canções transportam a sensação daquele tempo no presente
Com tanta nostalgia não se sabe o que vale mais
Chorar ou sorrir pelos belos momentos aproveitados
Como o tempo voa apesar de passar lentamente!

Dá a impressão de que esse agora ficará
Dentro desse corpo há células que se renovam
Deixar a vida levar é um ato de comodidade, coisa passiva

Evasiva é o jeito de ser de quem não sabe o que quer
E o abecedário dos anos, décadas, séculos, milênios
Enquanto classificamos os outros achamos ser melhor
Essa autocracia é uma balela que será carcomida sem sentido

Firmeza para ver o mundo de modo que possa ajudar
Finalizar tudo que começar sem criticar o que não entende.

 

 

O TAPETE
REGINALDO COSTA DE ALBUQUERQUE
Campo Grande/MS

Acaso encontro, em mala que uso agora,
dentro do bolso interno que o escondia,
certo tapete que pisaste um dia...
E eis a razão de não jogá-lo fora.

Grata lembrança nessa achado aflora.
Um drinque... A noite desfilando fria...
Então, o teu perfume a porta abria...
Entras... e o ambiente todo se colora...

A paixão cria sonhos sem recheio.
Um eco rola na penumbra em meio...
Encosto o ouvido no tapete mudo

e ouço a minha voz, triste, mussitada,
queixar-se: "Ela pisou-me... não sou nada!"
E ele responde: "Ela pisou-me... é tudo!"

 


CONTRASTES
MARIA APARECIDA COQUEMALA
Itararé/SP

O crepúsculo nascente
em amaranto se desfaz
no cetim do azul...
         Contrastam no horizonte
         os negros perfis das árvores,
         no fio da eletricidade
         inquieto, pousa um pássaro.
A meus olhos cansados
a natureza esboça
sua tela matutina.
         O brilho solar se expande,
         dourando o céu...
         Grades por toda parte,
         cacos emolduram muros.
Pregos se erguem afiados:
guardas atentos,
lanças em riste,
         Rumo ao firmamento,
         se eleva uma antena
         buscando contatos...
Entra pela janela,
pela rouca voz do vento,
poliglota, comovente,
o grito da humanidade.
         Vem de perto, vem de longe,
         das aldeias, das cidades,
         das planícies, das montanhas
         querendo comunicar-se.

 


NOITE ÚNICA, (3º lugar de melhor texto)
MARIA APARECIDA COQUEMALA
Itararé/SP

interpretada pela app Gladis Lacerda (Melhor intérprete do festival)

Ansiosos, entramos no motel barato.
Lucas, cabelo que o vento despenteara,
roupão vinho, cigarro, pose de Humphrey Boggart.
Eu, baby-doll convencional, oferta do motel.

         Havia música.
         Seria para sempre "nossa música",
         qualquer que fosse ela.
         A paixão se faz também
         com romantismo brega.

Noite única de amores jamais repetidos:
amassos e gemidos, orgasmos delirantes,
endorfinas e serotoninas
e gatos namorando no telhado
as gatas douradas ao luar,
em miados tremulados.
Um cenário de ultrarromantismo
descabelado.

         E o sol nascendo, o céu dourado,
         a brisa agitando docemente
         a renda das cortinas das janelas...
         E Lucas saindo por cigarros até a esquina.
         Não voltou.
         Tem esquinas além do fim do mundo.

E nunca mais vi Lucas.
Ou nunca mais deixei de ver Lucas?
Revejo-o em lembranças do motel barato,
pose de Humphrey Boggart,
roupão vinho, cigarro...

 


A LOBA DA ESTEPE
MARIA APARECIDA COQUEMALA
Itararé/SP

Tantos anos vivi entre luzes e sombras...
Tantas as perguntas que ficaram sem resposta
sobre os enigmas todos do Universo.

         Sigo (ou faço?) agora meu caminho,
         indiferente ao que se passa a minha volta,
         como se o tempo ou os contratempos
         contra tudo me imunizassem.

Violência, ganância e indiferença se expandem...
Crianças armadas matam adultos inocentes.
Políticos locupletam meias, bolsos, até cuecas.

         Mulheres seminuas rebolam na TV,
         celebridades corpóreas ou bem falantes
         são agora grande entretenimento,
         neste circo romano em que nos transformamos.

Vozes conscientes, vozes discordantes
tentam despertar o povo anestesiado
por suas novelas, seu carnaval, seu futebol endeusado.

         Sou agora, a estrangeira, a mendiga
         do cemitério dos velhos elefantes.
         Sou a solitária loba perdida na estepe.
         Sou personagem de Camus, Trevisan e Hesse.

 

 

DESENCONTRO
LUIZ GONDIM
Rio de Janeiro/RJ

Você me tratou na ponta da faca,
defendi-me com dentes de garfo,
digladiamos pela mesma colher.
A faca, na ponta, era romba,
fracassamos numa rumba;
do garfo os dentes estavam gastos,
tentei implantes;
restou um pedaço da colher,
que guardei como prova
do último desencontro...

 


FRENESI
LUIZ GONDIM
Rio de Janeiro/RJ

Nossos espelhos se defrontaram,
abriram leques de possibilidades:
você sozinha,
eu sem ninguém;
ora um, ora outro com alguém.
Entre múltiplas imagens refletidas,
emoções passadas, perdidas,
brumas do aquém e do além.
Agora, novas cores
oriundas de pretéritos calores
ocultos no grilhão das rendas.
As valsas em variegados rodopios
retiram da hibernação os cios
entre balcões de oferendas.
Espelhos produzem vertigens crescentes
nos côncavos e convexos das lentes.
Nossos corpos em meneios e bamboleios
ritmados pelo arfar de teus seios,
cadenciados por nossas coxas digladiando,
Minha boca pousando em tua boca,
tua voz ardente, rouca,
submissa ao frenesi, antegozando...

 

 

O ATO
ARI LINS PEDROSA
Maceió/AL

Serei o vento percorrendo cada ponto deste corpo quente,
mas serei um vento brando, tocando o ponto impaciente.
Esta pele, seda do oriente, orvalhada e perfumada,
ficará encantada com cada beijo iluminado.

Os cabelos e pelos serão ondas pequenas,
guardando secretamente acidentais cantilenas.

Como um velho sábio, serei criança no ato revolto,
observando: olhos, seios, nádegas e um ventre envolto.

Os gemidos serão cantos celestiais, demolindo catedrais.
Aos sons da madrugada seremos animais.

 

 

ÀS DUAS E MEIA DA MADRUGADA
LUIZ CARLOS DE MOURA AZEVEDO
São Paulo/SP

faça frio ou calor
os mortos abrem a porta da geladeira
e servem-se de um copo d'água

os mortos são pontuais
às vezes desencavam velhas canções de ninar
e ficam cantando para si mesmos
tentando espantar a insônia

no jardim do condomínio nasceu um agapanto
completamente fora de época
penso em um por do sol impossível
o desejo de te ter de volta
um café bem forte numa xícara de porcelana finíssima
um brinde aos mortos que não gostam de café requentado

os mortos não se desviam do caminho
para apanhar um dinheiro caído na rua
e não ligam à mínima
quando o ônibus no qual queriam subir
passou pelo ponto sem parar

histórias com finais felizes
não fazem parte do repertório dos mortos
os mortos não leem poesia
não carregam chaves não falam ao celular
os mortos não pedem carona
nem gostam de viajar de avião

os mortos jamais estão com pressa

 

 

 

FACETAS
MARIA DO CARMO BOMFIM
Rio de Janeiro/RJ

 

Que lado meu é esse
que me impulsiona
para o que não quero,
mas espero que aconteça?
Que lado meu é esse
que me joga às feras
nessa torturante arena
em que me fujo e me ataco,
sofrendo o que não mereço,
castigada pelo desejo
de mais uma vez te encontrar?
Que lado meu é esse
que recria o que só é fantasma,
mesmo sabendo que isso não me basta
pois não aplaca esta paixão
desenfreada como todas são
de viver o engano,
a insana ilusão
de realizar o que se perdeu?

 

 

JARDIM VERMELHO
CELI LUZ
Rio de Janeiro/RJ


Sobe o pó da estrada
e, o Sol escapa
pelas escarpas.
Redemoinhos na roda
na ronda, na raça
de todas as partículas.

Teria sido em vão?

Extermínio de judeus
bolorentos corpos
girassóis dos mortos
nua menina de Hiroshima
sofrimento dos pracinhas.
E, o Sol pelas escarpas, escapa.

Teria sido em vão?

Rasga-se o tratado
rasga-se a alma
as cifras são a palma
os muros voltam a ensaiar.
A escapar por entre as flores
pedaços de mundo que jamais!

Todo esse pó vermelho!
Vermelho demais.

 

 

AZUL
ROSANE MIRANDA
Rio de Janeiro/RJ

Azul, pra que te sinta azul;
Fração azulada do arco-íris;
Gota extraída da paleta do Pintor;
Envolva-me em tua aura;
Quente, rubro, sangue, e só;
E somente só, me afague.

 

 

ANJO (NETINHOS)
ROSANE MIRANDA
Rio de Janeiro/RJ

Emoções à flor da pele,
momento mágico,
momento único,
cor de rosa ou azul,
vida que se mescla,
vida que se cria,
vida.
Já lhe espero algum tempo,
mas sei que tudo tem sua hora,
hora marcada,
inclusive você.
Você que também será parte de mim,
pequenina,
mas imensa no meu amor.
Lágrimas ao sol,
amor incondicional,
amor sincero.
Porque não há amor mais real e sem máscaras do que o amor de uma criança, pureza.
Pra você estou guardando todo carinho que há em mim.
Vidas que se somam, se multiplicam,
na busca da equação dos planos perfeitos,
água cristalina,
fonte de esperanças,
vida que lhe quero ver.
É tempo de espera...
e espero por você.
Meu pequenino anjo azul, rosa.

 

 

AMOR ETERNO
TERESA DRUMMOND
Rio de Janeiro/RJ

Não me permito a dor
que enrosca o pescoço
asfixia
a mata.

Se a presença não mais a tenho
verdadeiro, o amor persiste
inefável
         silêncio que vibra
         solitário
         sem espera, sem retorno
via de mão única
em círculo
sem começo, nem fim.

O amor nem sempre cabe
na palma da mão
         ao transcender a carne
         é tatuagem esculpida
         na essência da alma.

Respiro sem culpa
o ar puro que mina
dentro de mim.

 

 

CORAÇÃO DE MACELA (1º lugar de melhor texto - Prêmio Francisco Igreja), interpretado pela app Tatiana Alves (Troféu Francisco Igreja)
TATIANA ALVES
Rio de Janeiro/RJ


A app Tatiana Alves recebe das mãos do app Sérgio Gerônimo o Troféu Francisco Igreja

Boneca de pano da infância
Recheada de macela
E minhas mazelas pareciam ter fim
No vestido de pano cosido em meu resto de inocência.

Boneca de pano da infância
De língua afiada e marota
E minhas tristezas pareciam ter fim
No pó estrelado de pirlimpimpim.

Boneca de pano da infância
Marquesa de um reino invisível
Onde sabugos e tecidos
Preenchiam o vazio que havia em mim.

Hoje não tenho bonecas,
Tampouco brinquedos singelos.
Mas ainda guardo, na gaveta secreta da alma,
Os cabelos de lã da espevitada que me iluminava as tardes.

Em meu sítio imaginário,
Eu me lembro de seu pozinho encantado
E peço, baixinho,
Para que ela nunca deixe que a Cuca venha me pegar.

Obrigada, Emília,
Olhos de retrós,
Corpo de pano,
Por cerzir minha alma, tantas vezes remendada.

 

 

TECEDURA
RITA GEMINO
Rio de Janeiro/RJ

Vou tecer um quadro
Com raios de lua,
Açoites da noite
E barcos cheios de mar.

Vou cerzir o quadro
Com fios de ouro
Em dia falso
Para se mostrar.

Vou engendrar o quadro
Com cores de matos,
De aves, de gente,
De música do Tejo
E Pessoa a caminhar.

Vou urdir o quadro
Com linha do tempo
E um soluço
A me guiar.

 

 

DISFARCE
RITA GEMINO
Rio de Janeiro/RJ

Caso a festa apareça
Em meio a um copo de bebida,
O insulto dos seus lábios
Será perdoado.

Será louvado
O tresloucado amor
Desta noite.
O seu sinuoso corpo
Com odor de álcool,
Batom na boca,
Sem botão na roupa,
Com cílios alongados.

Caso eu siga
A sua silhueta
Desaparecendo
No assoalho do bar...
Me leva pra casa...
Me bata na cara...
E me embriaga
Com essa sua
Dor disfarçada.

 

 

SOMENTE ELA (2º lugar de melhor texto), interpretado pelo autor - Amárico Mano
AMÉRICO MANO
Rio de Janeiro/RJ

A mulher
Que apanha de um homem
Sabe como ninguém
O que a mão dele atinge.
Ela, e somente ela,
Convive com suas chagas,
Impossíveis ao espelho.
Sua vergonha
Não tem perfume que esconda.
Sua roupa não tem dona.
Seu nome não tem gente.

A mulher
Que apanha de um homem
Sabe como ninguém
O que a fúria dele perfura:
Ora dentro dela,
Ora mais fundo ainda.
Ela, e somente ela,
Lava e passa o seu oco.
Depois dobra e põe na gaveta,
Esperando que as traças
Diminuam a espessura
Daquilo que guarda.

 

 

AUTOR
AMÉRICO MANO
Rio de Janeiro/RJ

Assim ele se julga...
Autor do homem em suas rugas.

Senhor da quantia que leva no bolso,
Do suor que expressa no rosto.

Da carteira que imprime seu nome,
Da mulher com quem dorme.

Senhor do que um dia foi seu berço,
Do seu atual endereço.

Das dores fiéis à sua integridade,
Da paternidade.

Senhor do grisalho de seus pelos,
Do acomodar de seus chinelos.

Do relógio cicatrizado no braço,
Do entendimento de todo prazo.

Assim ele se julga e se condena...
Autor do homem nas rugas do seu poema.



Outras informações: Sérgio Gerônimo apperj@apperj.com.br
Apoio cultural: www.oficinaeditores.com.br
Site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO

Arquivo histórico:
I FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

II FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

III FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

IV FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

V FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO



generico cialis levitra senza ricetta viagra costo levitra acquisto cialis senza ricetta kamagra acquisto cialis prezzo kamagra italia acquisto kamagra comprare viagra acquisto levitra acquisto viagra viagra generico viagra comprare viagra acquisto levitra prezzo generico viagra cialis generico levitra generico