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site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO
V Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
(Prêmio Francisco Igreja)


ANUNCIA
os 20 melhores textos, seus autores e classificação final, no V Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro, concorrendo ao Prêmio Francisco Igreja / 2012 e que foram apresentados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no dia 14 de setembro, a partir das 16:30h, no Auditório Machado de Assis (entrada pela Rua México)

Abaixo leia os poemas e saiba quem foi o Juri da seleção:
app Márcia Leite - Diretora da APPERJ, blogueira, webeditora de Deleite's, produtora cultural do evento Todas Elas & Alguns Deles.
app Mozart Carvalho - vice-presidente da APPERJ, professor de Língua Portuguesa / Literatura, membro do Conselho Editorial da Revista Literária Plural.
app Sandra Fernades - Diretora da APPERJ, Educadora (Historiadora), produtora cultural do evento Noites Poetanas.


app Márcia Leite; app Mozart Carvalho; app Sandra Fernandes

Juri da classificação final:
Abilio Kac - Médico, poeta, trovador, sonetista e escritor (16 livros publicados).
Presidente da União Brasileira de Escritores/RJ. Membro Titular da Academia Brasileira de Trova no Rio de Janeiro.
Diversos prêmios conquistados em concursos de trovas, poesia em geral, no Brasil e em Portugal.
Jurado em diversos concursos literários. Poeta Trovador do Século XX - Casa do Mestre - Magé/RJ.
Ex-Presidente da Academia Brasileira de Médicos Escritores.

Amélia Alves - é poeta e educadora nascida em Campos dos Goytacazes-RJ, onde graduou-se em Letras, modalidade Português-Inglês, pela Faculdade de Filosofia de Campos (UNIFLU) e participou da fundação do grupo Uni-Verso, cooperativa de escritores destinada a produzir livros de autores locais. Radicada no Rio de Janeiro desde 1979, é Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em tv educativa e processos de educação à distância baseados na utilização de novas tecnologias de comunicação na educação. Professora universitária: Universidade Cândido Mendes e do Curso de Educação Artística da Universidade Bennett e Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense – FEUFF, no Curso de Pedagogia de Angra dos Reis. Foi presidente da seção Rio de Janeiro da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT/RJ) e colaborou, como editora executiva, da criação do site literário PALAVRARTE. Publicou Vácuo e Paisagem (Campos dos Goytacazes, Grupo Uni-verso, 1978), Atrás das Borboletas Azuis (Rio de Janeiro, Oficina do livro, 2005), ambos esgotados, e o volume 49 da coleção 50 poemas escolhidos pelo autor (Rio de Janeiro, Edições Galo Branco, 2009), pequena antologia de sua obra reunida. Foi premiada em concursos literários entre os quais destaca o Concurso Internacional de Literatura da União Brasileira de Escritores – UBE-RJ: Prêmio Pizarro Drummond (2009, segundo lugar) por No reverso do Viés, livro de poemas ainda inédito; Prêmio Adalgisa Néri (segundo lugar) por seus 50 poemas escolhidos pelo autor, categoria poesia, livros publicados, 2010.

Margarida Finkel - de pais russos, nasceu no Rio de Janeiro. Ingressou no mundo das letras pelas mãos de Olegario Marianno, "o príncipe dos poetas brasileiros" que prefaciou seu primeiro livro de poemas “Meu Amanhecer”, como ficou registrado nos anais da revista da Academia Brasileira de Letras. Formada em Biblioteconomia pela Biblioteca Nacional, exerceu funções na então Secretaria de Educação e Cultura do antigo Distrito Federal, mais particularmente em bibliotecas infantojuvenis e na do Serviço Nacional de Teatro. Membro da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, bem como da Sociedade Eça de Queiroz, também no Rio de Janeiro. É sócia-correspondente da Academia de Letras e Artes do Nordeste. Recebeu vários diplomas e prêmios. Obras publicadas: Do Incansável Amor Cantarei, Editora Uapê, 2000 - Poemas reunidos de 1946 a 2000; Meu Amanhecer; Entre Gaivota e Nuvem; No tear dos Ventos; Ausências Claras e Rede em Mar de Espelhos.


Amélia Alves, Margarida Finkel e Abilio Kac

Classificação final: abaixo em cor amarela

n° de inscrição
poema
autor
UF
11
Palavra
Ileides Muller
MS
30
Sozinho
Amalri Nascimento
RJ
35
Fim da linha
Don Pablo
RJ
43
Eu sou
Rosani Martins
MG
45
Constatação
Laura de Luca
RJ
55
Cena exterior com sorvete de fruta doce
Luiz Carlos de M. Azevedo
SP
61
Canto e um amor tanto esperado I
Helenice Rocha
MG
65
Dobradiças do tempo
Rita Gemino
RJ
66
Coisa
Américo Mano
RJ
68
Verão negro
Maria do Carmo Bomfim
RJ
69
Cadência
Will Knust
RJ
70
Janelas
Will Knust
RJ
72
Prece
Paulo Reis
RJ
83
Cercas
Salete Souto Caramão
RS
85
Soneto da despedida
Douglas Siviotti
RJ
86
Brisa leve
Douglas Siviotti
RJ
95
Mar de amantes
Fabrício Fernandes
RJ
104
Andanças
Amélia M. R. da Luz
MG
105
Ângulo
Amélia M. R. da Luz
MG
114
O bêbado
Marcelo Báfica
RJ

Obs: apperjianos que concorreram ao Troféu Francisco Igreja
Amalri Nascimento e Maria do Carmo Bomfim

Classificados do V FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO


PALAVRA
(nº 11 – Anjo – Ileides Muller, Campo Grande/MS)

Palavra adulta é limitada,
tem etiquetas grudadas por dentro.

Prefiro palavra criança,
aquela que se esconde
nos labirintos verbais.
E surge assim,
de repente,
fazendo cócegas,
nas estruturas
das formas tradicionais.


SOZINHO
(nº 30 – Miguel Arcanjo – app Amalri Nascimento, Rio de Janeiro/RJ)

Fechando-me a segredos
De combinações infindas
A luz que descortinava as íris aos clarões do dia
Foi-se para se perder nos abissos
Mais recônditos de minh’alma querente

Sem deixar resquícios de réstias
Por mais tênues que alimentassem
Um lampejo de esperança
Prostrou-me a tatos doridos
Nessa solidão insana que lancina...

E mesmo que insista
São mudos os ecos
Da aldrava fundida em sentimentos
Do tempo perdido

O que fazer
Senão sangrar os dedos em agudas farpas
Ao esmurrar a crueza de madeira
De portas que se fecham

Sozinho e sob espreita de olhares hediondos
De gárgulas que vomitam torrentes
A pele nua sucumbe
Aos calafrios do relento que oprime a carne
Enquanto as entranhas reviram-se e ardem
As chamas de suplícios e desejos...


FIM DA LINHA
(nº 35 – Coração altruísta – Don Pablo, Itaboraí/RJ)

Moça recatada
Tem que andar na linha
Pessoas elegantes
Sempre andam na linha
A maria-fumaça
Também anda na linha
O pescador que sonha
A boa costureira
Pega na agulha e na linha
O jogador que se destaca
Sempre joga na linha
Lança sua linha
A garotada da minha rua
Joga amarelinha
A cafifa do menino
Voa presa à linha
Todo pensamento
Também segue sua linha
O homem que é sábio
Lê nas entrelinhas
Deus escreve certo
Em qualquer linha
E se acabou tua fé
Chegou o fim da linha


EU SOU - 2º lugar
(nº 43 – Luamar – Rosani Martins, Juiz de Fora/MG)

“Eu sou o intervalo entre meus desejos e o que fizeram de mim.”
Sou muito de minhas conquistas, dos fracassos, das alegrias, de muitas dores,
da quebra dos laços.
Sou o reflexo dos dissabores, de muitos amores, da perda de valores...
Sou o que resta da essência, uma estranha para mim, um ser que não reconheço,
sou a perda da inocência.
Sou vazia de meus ideais, cheia de incertezas, uma caixa de surpresas.
Sou a História que não escrevi, o destino que não escolhi.
Sou produto dos planos, dos desvios, dos desenganos.
Sou um livro escrito por várias mãos, uma trama, ainda aberta,
muitas vontades incertas, um texto em construção.
Sou fruto de momentos, da vida que vivi, de muitos acontecimentos,
do que não consegui, de tudo que perdi.
Sou um ponto de interrogação, uma espera do que não sei, a eterna busca de mim,
uma vontade contida, uma procura perdida, segredos que não revelei.
Sou medo e coragem, sonho e realidade. Sabores que não provei, gostos,
que me marcaram, um pouco de todos que, de alguma forma, me amaram...
Sou a dúvida e a certeza. Braços abertos a esperar e um coração livre para amar.

CONSTATAÇÃO - 1º lugar - Prêmio Francisco Igreja
(nº 45 – Hera – Laura de Luca, Rio de Janeiro/RJ)

Se, por vezes, meus trilhos beiram cataclismos.
Se ainda descarrilam os pensamentos.
Se faltam-me forças em tantos momentos
e ainda alternam tanto, paz e abismos...

Como ser o guia se não vejo as trilhas?
Querer acender lanternas sem pilhas?
Ensinar a leitura sentindo-me analfabeta?
Nada sei da vida... Apenas repito
o que da alma brota num peito aflito
e escorre-lhe pela mão, talvez poeta.

Empresto o que não sei e nada ensino.
Apenas canto meu olhar e desafino.

 


CENA DE EXTERIOR COM SORVETE DE FRUTA DOCE
(nº 55 – Holandês voador – Luiz Carlos de Moura Azevedo, São Paulo/SP)

aqueles dias de sol & praia & uma inércia que não sei de onde vinha
éramos felizes se a felicidade pudesse ser comparada
à qualidade de lantejoulas em um pequeno punhado de areia
ou o sabor de fruta de alguns sorvetes de uma sorveteria há muito desaparecida

estes são os pedregulhos e as cicatrizes da memória
quando aos domingos o pai nos punha todos na perua de duas cores
esqueci a marca a cor esqueci o ano
a visita ao museu com sua sala proibida
as crianças impedidas de ver a múmia trazida pelo imperador
um longo percurso por labirintos de luz indefinida
aqui e ali o brilho opaco de alguma prata muito antiga
jogo de quebra-cabeças para passar a noite inteira montando

construímos nossos pães de açúcares de faz-de-conta
momentos nos quais a realidade não passava de um breve lampejo de ficção
os bondinhos eram caixas de fósforo suspensas por um pedaço de barbante
as pegadas na areia molhada desapareciam rapidamente
toda a espuma trazida pela arrebentação de cada onda
nossos maiôs pingando água salgada
os barcos as ilhas as pedras estão cobertas de mariscos
nem sei porque estou lhe contando tantos detalhes
você nunca acredita nas minhas historias

 


CANTOS DE UM AMOR TANTO ESPERADO
(nº 61 – Calipso – Helenice Maria Reis Rocha, Belo Horizonte/MG)
CANTO I

De onde vararam mil facas
brotam flores
fazendo meu amor fiel
como um quebranto
e desse pranto que ora gemo
descem lágrimas
para adoçar o sal dos meus
carrascos
Maria, mil vezes Maria
fui às ruas, nua
como criança em dia de comunhão
no fervor das lutas
gritei palavras de ordem.
Hoje, do meu coração nascem
Cravos.
Sou só
como Antônio Nobre
Queria ser bela
fazer brotar o carmim dos lábios
Mas a vida me quis séria
Vejo o brilho da poeira ao sol
e amo, lancinada de dor.

 


DOBRADIÇAS DO TEMPO - 3º lugar - intérprete Américo Mano
(nº 65 – Fênix – Rita Gemino, Rio de Janeiro/RJ)


Das janelas
As palavras observam
As pessoas que passam
Esperam mais um trem
Que chega a derramar
Pela via
Os passantes do tempo

As palavras ouvem
O subir de alguém nas escadas
Um alguém que talvez as descole
Das páginas amareladas

Surpresas e agitadas
Essas palavras
Sentem o cheiro antigo
Do perfume e o toque
Daquela mão agora cansada

Houve um tempo
Em que esta mão as rasgava
Num frêmito de paz e angústia
Um tempo em que
As embalava na doce história
Que contava pro filho
Agora a ferrugem tomou conta
Dos olhos desta mão
A dobradiça de um tempo
Trocou o bonde pelo trem
E as palavras nas janelas
Mastigam as rugas
Das pessoas que já não passam.

 


COISA
(nº 66 – Duardo – Américo Mano, Rio de Janeiro/RJ )
minha dor é um vício
um fato apodrecendo em etapas

minha dor é um bicho
um deus retesando suas patas

minha dor é um mito
uma cruz que no homem se crava

bastarda dos signos
minha dor nunca foi palavra

 


VERÃO NEGRO - Troféu Francisco Igreja, intérprete app Neudemar Sant'Anna, Prêmio de Melhor Intérprete
(nº 68 – Pietra – app Maria do Carmo Bomfim, Rio de Janeiro/RJ)

Sob o sol escaldante
há poeira/miséria/riqueza!
Essas mulheres de preto,
só com os olhos de fora,
sempre baixos,
andam apressadas
e escondem a vergonha
de ser fêmeas.
Juntas ou solitárias,
elas parecem fantasmas
vagando por um mundo
que lhes nega vida.
O que fazem com seus desejos?
Sufocaram seus anseios?
Será que conhecem o amor?
Sob o sol incandescente
essas mulheres de preto
se escondem do olhar alheio
e fogem do seu próprio calor.

CADÊNCIA
(nº 69 – Thor Lamblet – Will Knust, Nova Friburgo/RJ)

Assim,
A permeabilidade sutil das coisas se fez em uma boneca
Tão branca, os olhos tão azuis, seus lábios cor de carmim
As nuvens do céu traziam apenas movimentos acrobáticos

O vento mexia mais um pouco os seus braços
Magros, talvez até aparentemente fraco demais
Para levantar toda a sua falta de vontade pela vida

O brilho intenso de sua memória tão fatigada de sonhos
Ora vívidos, ora mórbidos
A falta do pano em seus vestidos
A costura falha da manga, dos tecidos que cobriam

Como o rubro ruivo e extensivo
De quem passava pela vitrina
A imaginá-la tão sôfrega

Ao imaginá-la tão dócil
Tão imensurável em si
Ao dizer o sim sem sorrir
Ao chorar a lágrima sem sentir
Sem partir.

 

JANELAS
(nº 70 – Thor Lamblet – Will Knust, Nova Friburgo/RJ)

Corri atônito para contemplar mais uma vez o céu e o horizonte
Pena que tão rude e fragmentado pela vista de uma janela
O prédio alto, a batucada veemente...

E eu, vazio
Duas batidas no meu coração e ah, eu nem percebia!
Era tanto céu... pra tão pouca janela

As cortinas comportaram um pouco do vento que levaria ao meu ventre
[a sensação leve de que os pássaros poderiam voar pelo meu quarto livremente]
A sós comigo, com meus livros,
Com a minha peculiar desorganização

Talvez precise de mais ares puros
Ou quem sabe, de menos quartos escuros.
Provavelmente, ainda, de mais janelas

Para deixar também, a minha alma se levar,
Ao menos que em um segundo,
Pelo tempo.

 


PRECE
(nº 72 – Juliano Terra Nova – Paulo Reis, Nova Friburgo/RJ)

A igrejinha
Olha pro morro
- SOCORRO!
Em oração.

Aqui embaixo
A violência
Com a caneta
Diz que não.

 


CERCAS
(nº 83 – Zengoldábil – Salete Souto Caramão, São Sepé/RS)

Sobre as cercas são lançados homens
pelas mãos de tantos celeiros vazios
e os cercados da fome - grãos sem terra -
vidas errantes na lida do estio.

As vitrines, cercas ilusórias
maneiam caros sonhos citadinos
no espelho o olhar da criança pobre
acordando anseios meninos.

Nos arames, sonantes gemidos
do vento harmonizando sons
são notas de uma sinfonia aflita
lamentos que se fazem canção.

São cercas as mentes perversas.
Com falsas promessas impõem trajetórias
corrompem verdades, sufocam ideais
em desvios planejados da nossa história.

Que essas cercas afastando irmãos
sejam um elo pela igualdade
será a paz numa corrente de abraços
irradiando canções à liberdade.

SONETO DA DESPEDIDA
(nº 85 – Linus Gregor – Douglas Siviotti, Rio de Janeiro/RJ)

Meus caros cuidadores quase em pranto
Não tenham de mim pena nessa hora
Nem pensem quanto breve vou-me embora
Só lembrem que já tive trinta e tantos

Foi lá que entre poemas, nem sei quantos
Grafei que a ação do tempo traz melhora
Por mais que traga a ruga que decora
Meu rosto que já teve mais encantos

Foi lá que entre poemas remissores
Deixei os meus temores sobre o fim
Portanto, cuidadores, tragam flores
Mas poupem suas lágrimas por mim

Eu mesmo já chorei as minhas dores
Ao longo do caminho por que vim.

 


BRISA LEVE
(nº 86 – Linus Gregor - Douglas Siviotti, Rio de Janeiro/RJ)

O tempo que passa leva
o tempo que resta
O tempo que resta traz
o vento que sopra atrás
de mim que sou vela
Eu sinto esse vento
Eu abro, eu tento
partir nesse vento a mais
que leva (me leva)

O vento que foi revela
a fenda, a fresta
que o tempo que rasga faz
Eu sinto que venta mais
em mim que sou vela
Me assopra esse vento
de fora, de dentro
Cintilo, mas queimo em paz
na brisa (tão breve quão bela)

MAR DE AMANTES
(nº 95 – Camillo Cerati – Fabrício Fernandes, Rio de Janeiro/RJ)

Partem ao desconhecido
As naus de seu coração.
Depois do porto dormido,
Sobem âncoras, do vão,
Às tábuas de passos aflitos.
Velejam como quem não tem vela
E o vento não lhes dá a direção
Sua fulgaz partida da terra
Desconsidera o mar sem chão.

Ao longe, da praia povoada,
Parecem navegar decididos
Em silenciosa romaria.
Somente os cônscios de tal partida
Neles veem miseráveis perdidos.

Dias, meses, anos se passam
E o cenário é sempre constante:
Barcos que chegam, outros que partem.
Aqueles que no porto atracam
Não ficam por mais que instantes.
Até mesmo os mais duradouros,
Discretos em suas ferrugens,
Hão de fazer-se barcos
E, como tais, viver estorvos.

Dessa vez, partir lhes foi incumbido
E não houve sequer outra opção.
As naus que seguem ao desconhecido
Levam as dores de seu coração!

ANDANÇAS
(nº 104 – Ateneia – Amélia Marciolina Raposo da Luz, Pirapetinga/MG)

Despojo-me de toda vaidade
de todo consumismo inútil...
Nasço agora nua sob a luz
de um sol inocente...
Vicejo entre brisas da natureza
aquietada por raios de amor...
Sou galho, folha ou flor,
sou rio lento, preguiçoso,
a correr, acariciando pedras brutas.
Sou lampejo de vida, sobrevivente,
centelha muda que persiste teimosa!
Sou o murmúrio entre tantos decibéis,
escondido num silencio de Harpócrates...
Sou a marcha, o hoje e o agora,
sou o comando na hora intransferível...
Mamífera, visceral, mortal
sou a vida e o tempo imediato
entre o nascer e o morrer.
Meus dias se esgotam misteriosos
vazando entre meus dedos enrijecidos.
Não empunho fuzis nem detono bombas,
sobrevivo com os restos da paz do século atômico,
herança preciosa que carrego sem vergar,
nos meus ombros fatigados,
trazendo meus ouvidos ensurdecidos
por tantos gritos violentos de guerra!

 


ÂNGULO
(nº 105 – Ateneia – Amélia Marciolina Raposo da Luz, Pirapetinga/MG)

Não permiti
Que a madrugada
Se abrisse em aurora.
Poderia insensata
Levar-te de mim embora
Deixando profundo vazio
Naquele ninho de amor.
Não deixei que os lençóis
Se afastassem de nós
Pois nossos sonhos
Nele se aqueciam
Na embriaguez do momento
Bebi tua alma em silêncio
Abracei-te num estranho egoísmo,
Sentindo a maciez da tua pele
Nas carícias das minhas mãos.
Levitei, alcancei o infinito,
Nua, sem nome, tua!
Olhei-me no espelho
Onde junto nos mirávamos.
Êxtase...Inconsciência...
Explosão de prazeres...
Permiti que um vento
Dali nos levasse para longe
Na força estranha
De tamanho sentimento.
E nada mais nos poderia alcançar!

O BÊBADO
(nº 114 – Lannos – Marcelo Báfica, Rio de Janeiro/RJ)

Não estou segura em meu corpo
Muito menos no chão
Ergo minha bandeira
Minha garrafa na mão

Naufraguei neste copo
A onda quis me levar
Ondulei feito um bêbado
Descendo as escadas do mar

Fui adiante a pique
Pois algo elas me furtam
As pernas já não me escutam
Por mais que eu solicite

Me acostumei com os odores
Do que não gosto tem gosto de água
As garrafas, os meus amores
Líquidos incolores de mágoas

Eu costumava a bradar
Com entulho na boca dizia:
Eu sou o Deus do Mar
Sozinho nesta maresia

 

O Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro, em categoria única, intenta mostrar poemas independentemente de faixa etária, a poesia pela poesia e a fala da palavra do poema, em seu significado maior. Novos rumos, novas regras, novas expectativas. Mas após 4 anos a diretoria da APPERJ abriu uma exceção neste ano, que servirá de regra para os próximos festivais. Estamos de volta com a categoria infanto-juvenil até 18 anos. Portanto para 2013, duas categorias: Adulto e Infantojuvenil.

Este ano, excepcionalmente, tivemos a apresentação de 3 poemas da categoria infantojuvenil, escolhidos pelos app: Mozart Carvalho, Sandra Fernandes, Sérgio Gerônimo, Márcia Leite e Glenda Maier e selecionados entre os mais de 50 enviados pela Delegada Regional de Santa Catarina app Professora Márcia Reis Bittencourt, de Canelinha com alunos da Escola de Educação Básica Professora Olívia Bastos, de Tijucas (SC). Aos 3 escolhidos serão ofertados: certificado de participação no festival; medalha Francisco Igreja de Menção Honrosa; kit de livros da OFICINA e, também, ao 1º colocado 100 reais em dinheiro. A escola e professora receberão certificados de participação no festival e o agradecimento de todos nós pelo belíssimo trabalho realizado com os jovens.

Abaixo os poemas dos jovens:

VAMOS MUDAR! - 3º lugar

Trânsito é coisa séria,
Vamos nos ligar.
E todas as pessoas devemos alertar,
Seguindo todas as leis tudo pode mudar.

Temos que respeitar os pedestres,
os ciclistas e eles vão nos ajudar.
Começando a partir de agora,
Vamos nos modificar...

Eu adoro dirigir,
Assim como adoro andar.
Todos tem o mesmo direito,
Por isso vamos mudar.

Verde, amarelo e vermelho,
Servem pra sinalizar.
Preste atenção,
Para não errar.

Verde tá liberado.
Amarelo, tome cuidado.
Vermelho, stop.
Espere parado.

Tenha paciência e nada dará errado,
Trânsito é lugar sério,
Não é lugar de brincadeira,
Por isso dirija com atenção e não dê bobeira...

ALUNA: Bruna Jaques, nº 37
Idade: 13 anos
7ª série
Tijucas/SC
Escola de Educação Básica Professora Olívia Bastos
Professora responsável: app Márcia Reis Bittencourt

 

HOJE EU QUERIA APENAS - 2º lugar

Hoje eu queria apenas, brincar me divertir...
Molhar meus pés no rio e sorrir...
Hoje eu queria apenas...
Andar de bicicleta e cair...
Conversar com meus amigos e dormir...
Hoje eu queria apenas...
Cantar, pular, dançar...
Se jogar de cima de um prédio e me esborrachar...
Hoje eu queria apenas...
Andar de carro a 100 por hora...
E da janela do meu quarto, ver a chuva caindo lá fora...
Hoje eu queria apenas, voar em um jatinho...
Ir ao fundo do mar com um submarino...
Hoje eu queria apenas...
Namorar, beijar e quebrar travessas...
Brincar na lama, cair na cama e dormir a beça...
Hoje eu queria apenas...
Coxinha, salgadinho e rissoles...
Chiclete, balas, bombons e vinho em goles...
Hoje eu queria apenas...
Tomar banho de chuva e dormir de carapuça...
Hoje eu queria apenas...
Subir no pé de laranja, e deixá-las cair...
Jogar lama nos outros e morrer de rir...
Hoje eu queria apenas...
Parar de digitar, pois a tecla já cansou e o teclado irá estragar...

Alisson Simas, nº 56
Idade: 14 anos
8ª série
Tijucas/SC
Escola de Educação Básica Professora Olívia Bastos
Professora responsável: app Márcia Reis Bittencourt

 

UM ELEFANTE SEM TROMBA - 1º lugar

Um elefante sem tromba
Em um zoológico da cidade
Algo misterioso aconteceu.
Um elefante nasceu.
Mas o mais esquisito, foi vê-lo sem tromba.
Como pode?
Mas dentre toda esta esquisitice,
Foi à lição que tivemos que nos surpreendeu.
O elefante sobreviveu!
Como?
Primeiro que todos colaboraram, até os visitantes.
Segundo ninguém descriminou
O pobre elefante,
Que viveu normalmente junto com os outros elefantes.


ALUNA : Amanda Darossi, nº 47
Idade: 13
Série: 7ª série
Tijucas/SC
Escola de Educação Básica Professora Olívia Bastos
Professora responsável: app Márcia Reis Bittencourt


Fotos do evento

app Mozart Carvalho, app Sérgio Gerônimo e app Katia Pino / Participantes e afins / Irmãs de Francisco Igreja (Nela e Quinhas)

agradecimentos:
app Katia Pino na administração do evento
fotos by app Jorge Ventura


Outras informações: Sérgio Gerônimo apperj@apperj.com.br
Apoio cultural: www.oficinaeditores.com.br
Site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO

Arquivo histórico:
I FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

II FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

III FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

IV FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO


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