Eunice Khoury

TIO SIMON E OUTRAS CRIANÇAS - infantil

LANÇAMENTO DIA 18 DE SETEMBRO 07, no estande 225 APPERJ/OFICINA Editores, Rua "L", Pavilhão Azul, RioCentro, às 19:30h, durante a XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, Rio/RJ.

65 ANOS DE UMA FAMÍLIA BRASILEIRA

Eis um livro que é uma delícia de se ler. Nele, fala Eunice Khoury sobre uma família, suas crianças, seus tios – principalmente o tio que lhe dá o título. No fundo, é uma história da própria família brasileira, em seus aspectos normais e positivos. É a história minuciosa da vovó, da mãe, do tio e de outros tios e das crianças que vão surgindo, primeiro uma, depois outra, depois outra, numa sucessão natural de pessoas grandes e pessoas pequenas, inseridas no seu dia-a-dia, no relacionamento de gente com gente, de gente com bicho, de bicho com gentes, os mais velhos sendo tão crianças como as crianças, isto desde 1940, a família ainda morando em São Paulo, a autora do livro ainda às voltas com o primeiro conhecimento das coisas, com a presença dos irmãos Eunice e Simon, este, que seria o tio do livro de agora, sofrendo porque seu carneirinho (o “carneirinho do Simon”) tinha sido um dos pratos de almoço e jantar na casa, o que o levou a reclamar – “Comeram o meu amigo” – e a se lembrar disto em público, ao atingir os 53 anos.
Em prosa e verso, narra Eunice Khoury os acontecimentos praticamente de cada ano – de 1940 a 2006 – com os nascimentos que se sucediam, crianças que vinham e começavam a pensar, a fazer perguntas, a ter desejos, a gostar, a desgostar de inúmeras coisas, num aprendizado gradativo da vida e seus mistérios. Lembrando os seus três anos, concebe Eunice versos que registram o momento: “A criança e o mundo, / a alma e o silêncio, / a vida a espreitar a criança, / a criança a sondar o universo / envolto em solilóquios...” Diante de uma janela em que a luz entrava, nela também entra um gato preto que assusta a criança e aparece em poema decênios mais tarde, num reconhecimento de que tudo acaba em poesia ou nela surge de repente, com as lembranças que a memória guarda para sempre.
O tio do título é criança a vida inteira e vai contracenando com as crianças que vão surgindo, sendo parte delas, dizendo as coisas que elas entendem, contando as histórias que elas esperam, tendo as atitudes – esperadas, inesperadas – que elas adoram, com frases ditas em 1960, em 1979, em 2000 e 2001, ao longo dos acontecimentos normais de uma família. Tudo se junta no livro, que se transforma numa verdadeira história de uma típica família brasileira, de seus gostares, de suas predileções, de seus amores, de suas desconfianças diante do que não entende ou não quer entender, numa série de descrições que nos mostram como somos através das crianças, do tio-criança e da autora-criança do livro, chegando ao dia 4 de fevereiro de 2005 em que a família toda retorna do Arraial do Cabo – que a criança mais jovem, Guilherme, chama de “cábado” – e vão, com tio Simon, a uma churrascaria, em que a pequena Juliana pede: “Ô vó, esta comida está muito quente, pede pro moço trazer gelo que é para eu colocar nela.”
Livro que é uma delícia de se ler, sem dúvida. Escrito num estilo que se pode chamar de “íntimo”, atinge-nos com força naquilo que temos também de mais íntimo: no sentimento de que a vida vale a pena ser compreendida, analisada, lembrada – isto é, de que a vida vale a pena ser bem vivida – e que isto depende de cada um de nós.

Antonio Olinto
Da Academia Brasileira de Letras

Outros livros expostos da escritora:


Buscando o Céu, Maria em minha vida

Chico Mico e o Fla-flu
Tié Sangue, Dona Girafa e a Borboleta Azul
Passos de Pássaros


Mais informações pelo e-mail: oficinaeditores@oficinaeditores.com.br

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