www.apperj.com.br
site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO
Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
(Prêmio Francisco Igreja)

A APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro convida todos os poetas a participarem do
FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO - PRÊMIO FRANCISCO IGREJA.

ANUNCIA
os 20 melhores textos, do Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro, concorrendo ao Prêmio Francisco Igreja / 2008 e que forão apresentados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no dia 16 de setembro, a partir das 16:30h, no Auditório Machado de Assis (entrada pela Rua México)

Juri da seleção:

app Edir Meirelles - presidente da União Brasileira de Escritores/RJ
app Ilka Jardim - membro da diretoria da APPERJ, associada do SEERJ, premiada poeta e intérprete.
app Tanussi Cardoso
- presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro, premiado poeta e intérprete


app Tanussi Cardoso; app Ilka Jardim; app Sérgio Gerônimo

Juri do encerramento:

Gilberto Mendonça Teles - professor emérito da PUC e da Universidade de Goiás, escritor, poeta, membro do Pen Club, membro da União Brasileira de Escritores, Troféu Rio - Prêmio Personalidade Cultural 2008 da UBE.
Teresa Cristina Meireles de Oliveira - doutora em poética (UFRJ), professora de Literatura Comparada da Faculdade de Letras da UFRJ, diretora cultural da UBE, membro da Academia Brasileira de Literatura. Premiada poeta. Publicou: CANTARES DE MARÍLIA e PORTO SUBMERSO.
Deolinda Manuela Gonçalves Oliveira – bibliotecária, apreciadora da poesia, nasceu em Viana do Castelo/Portugal, irmã de Francisco Igreja.
Maria Emília Igreja Gonçalves Motta – professora, nasceu em Viana do Castelo/Portugal, apreciadora da poesia, irmã de Francisco Igreja.

Paulo Telles - diretor teatral, mentor do Camarim das Artes, dirigiu a peça À Luz do Cabaré com poemas de apperjianos, em cena no Sesc Tijuca e depois no Teatro Ipanema no ano de 2006.
Quivia Mariana - atriz, diretora do Camarim das Artes, espaço de artes cênicas em Jacarepaguá/RJ, participou da montagem da peça À Luz do Cabaré com poemas de apperjianos, em cena no Sesc Tijuca e depois no Teatro Ipanema no ano de 2006.
Jacqueline Sperandio - atriz, diretora do Camarim das Artes, espaço de artes cênicas em Jacarepaguá/RJ, participou da montagem da peça À Luz do Cabaré com poemas de apperjianos, em cena no Sesc Tijuca e depois no Teatro Ipanema no ano de 2006.


app Márcia Leite, Gilberto Mendonça Teles, Paulo Telles, Quivia Mariana, Jacqueline Sperandio, app Sérgio Gerônimo, Teresa Cristina
Meireles de Oliveira, Deolinda Manuela Gonçalves Oliveira, Maria Emília Igreja Gonçalves Motta.

N° de inscrição poema autor Cidade/UF

9 Meteorito Luiz Otávio Oliani Rio/RJ

“O eterno é que me veste”
Astrid Cabral

não planejo escrever um verso
ele vem até mim
e explode em linguagem

domesticado
não fujo da sina

se o poeta é
imerso no coletivo,
como usar o verbo
sem que represente
a si próprio?

mesmo assim
escrevo
escrevo
não para ser eterno
nem alçar glórias

escrevo
porque
sou instrumento
da palavra
que Deus sopra
em meus ouvidos


14 Mil mundos Renata Paccola São Paulo/SP - 3° lugar: publicação do poema nos sites da APPERJ e OFICINA; medalha Francisco Igreja; certificado de selecionado entre os 20 melhores textos do festival; kit de livros da OFICINA e 200 reais em dinheiro e Troféu Francisco Igreja (apperjiano mais bem classificado no festival) mais prêmio publicação, sendo seu poema publicado graciosamente – sem ônus, na Coletânea PERFIL.

Mil mundos cabem dentro da pessoa
que consegue enxergar além de si.
Liberta sua voz, um canto entoa
e espalha seu amor aqui e ali.

Em meio ao caminho descobri
que a quem é solidário, a vida é boa.
Hoje eu sei, pelo tanto que vivi
que o fraterno é quem menos se magoa.

Felicidade é algo que se espalha
e vive mais presente em quem trabalha
e não pensa somente no dinheiro,

mas no valor sublime e verdadeiro.
Quanto mais expandimos nossa voz,
mais mundos poderão caber em nós!


28 Diante de mim Jorge Roberto Martins Rio/RJ

Sentei-me diante de mim
calmo, plácido
olhei bem lá dentro,
subterrâneo da alma
embaçando a vontade,
nublando a razão,
escancarando a tara,
dei-me um tapa

Quis fugir de mim
passado, verbo também
mas pra onde?
Pra fora dos dramas?
Pra dentro das damas,
das muitas que tive,
das que dispus?
Dei-me um choro

E me desconheci,
e me julguei qualquer
porque sem me saber triste
penalizei-me por nada de mim
distanciei-me de amores
e supliciei-me de fazer dó
diante da minha dor
diante de mim


40 Delírio Tatiana Alves Rio/RJ

Batidas na porta:
Aldrava
Ofício maldito:
Escrava
Vulcão que se agita:
A lava
Voz que se liberta:
Destrava
Delírio poético:
Palavra

67 Trôpego Zedelfino Natal/RN

É que às vezes me sinto
bago de fruta amarga
caído em teus ombros

Bêbado mar verde-absinto
deserto ardido em chama
jardim ao avesso

É que às vezes me acho
acha em teu corpo acesa
atirada em escombros
em véspera de cinza.


80 Por muitos aís Cristina Abrantes Rio/RJ

Eu quero a eternidade dos ventos
E acariciar tudo que me tocar o coração
Balançar os verdes repousantes
Atiçar o vermelho das paixões
Alvoroçar cabelos e sentimentos
Contrariar a quietude
Caminhar suave entre narcisos e lírios
E majestosa, florescer
Semente e fruto em mim mesma

Quero desvencilhar-me
Da ilusão das certezas intangíveis
E ocupar-me tão somente
Com a espontaneidade de cada momento
Com o afeto que se desvenda inesperado
Com o prazer fortuito e irresponsável
Com a tristeza que dói, mas passa
E que abre espaço para mais surpresas

Quero andar por aí,
Por muitos aís
Nas quebradas da vida
Numa curiosidade tranqüila
Numa exaustão saciada


81 Dominação Cristina Abrantes Rio/RJ

Solenemente, desce os degraus.
A escuridão que emana da impressionante figura
Prolonga-se no hábito que a veste.
Mal se distingue na obscuridade do templo vazio.
De costas para o púlpito,
Num movimento orquestrado e teatral,
Abre, lentamente, os braços
Num êxtase transcendente, opressor.
É um momento de delírio profundo.
Seus olhos ávidos encontram o objeto de seu desejo:
À sua frente, ajoelham-se seus cativos.
Contritos, olhos secos ao alto,
Esperam em vão.
Dentes cerrados lutam
Para que nem um estertor seja ouvido.
O ar recende um poder supremo
E lhes é sua magnânima concessão.
Lâminas emergem dos braços estendidos
E destinos se despedaçam sob seu poder.
Pedaços de silêncio esmagam o terror
Que se cristaliza em cada garganta.
Por trás das volutas de uma coluna,
Um farrapo se esconde, exangue.


89 Introspecção Lêda Miranda Rio/RJ

Preciso estar só.
Não é paranóia
nem depressão.
É solidão planejada.
Pensar sem compromisso,
recordar sem nostalgia,
planejar o futuro
sem promessa...
Um pouco de tudo.
Até não pensar em nada.
Ficar ali, voltada
para o meu interior,
me revolvendo,
me resolvendo
sem pressa.
Distante da idéia
de espaço ou tempo,
só a esmo,
quero fazer companhia
a mim mesmo.



96 Espelhos Walber Aguiar Boa Vista/RO

Cada dia o amor muda de rosto
Cada dia o rosto desfigura
E na loucura do espelho
O amor pode ser sexo
E no reflexo da dor te desconheço
Esqueço de mim
Lembro teu beijo
E nessa mistura entre o pão e o queijo
Não me vejo mais na tua face...
Cada dia o amor muda de rosto
Vira paixão em janeiro
Vira ilusão em agosto
Amor sem cara
Amor sem doce
Amor sem gosto
Cada dia o rosto muda de espelho
Cada dia o amor muda de rosto...


98 Indecisão Aníbal Albuquerque Varginha/MG - 2° lugar: publicação do poema nos sites da APPERJ e OFICINA; medalha Francisco Igreja; certificado de selecionado entre os 20 melhores textos do festival; kit de livros da OFICINA e 300 reais em dinheiro.

Meu louco coração tem descoberto
razões para pulsar descompassado,
mas temo não ter feito o que era certo:
melhor fora deixá-lo bem trancado.

O rumo de um amor é sempre incerto:
talvez, o bem-querer seja premiado,
mas pode estar regando em um deserto,
perdendo tempo e siso o apaixonado.

O amor chegou, sutil e sorrateiro,
ocupando um espaço, há tempo, vago
e perturbando a paz deste engenheiro.

Noto que ela aprecia o meu afago,
mas não sinto entregar-se por inteiro.
E hesito: abano o fogo ou fujo e apago?


101 Antes que amanheça Éder Rodrigues Belo Horizonte/MG

Esse seu jeito de ferir me excita.
Cubro meu silêncio para desnudá-lo apenas
quando não mais houver escoros.
Refaço a cama como quem resiste aos sonhos
e impede que se unam em deserto e grãos.
Pode tomar o meu peito como eterno
e aí cravar o sono que nos aproxima sempre.
Adoro ecos. Provas inconstantes de que algo vive.
Só preciso agora detê-los sobre mim.
Vasculho abrigo por entre seu coração,
por entre o frio de suas mãos.
Estar em alguém é construir-me inteiro
a partir daquilo que escorre ou faz doer.
Minha natureza que se esgota é só uma
forma de dizer que amo.
Mentir no intervalo do amor é me manter sensato
e não me sufocar em vazios e deuses rasos.
E nem pense em esquecer
Nutrir a ilusão nos faz significar
E o tempo quase não se move.
Apenas pulsa:
na violência com que respiras
no imundo do teu lábio
na tua nudez em detalhes.
Então:
Dorme, como se cansasse.
Enquanto gozo, como se existisse.

(O que me escapa pelos poros
É só uma forma de chorar por outras vias)



102 Tema para um interior imaginário Günther Di Dio Krähenbühl São Paulo/SP

Intérprete - Ana Gilli, melhor intérprete do festival: certificado de participação; certificado de Melhor Intérprete do Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro; medalha Francisco Igreja e 100 reais em dinheiro.


app Sérgio Gerônimo, Ana Gilli, Günther.

Parado!
E eu com a metralhadora feita de bambu fazia a rendição do inimigo.
A minha gaita tocou no filme
“Era uma vez em Dois Córregos”
Eu podia tudo e não temia nada!
Por um punhado de sonhos a garotada marchava rumo
Ao campo de várzea para jogar futebol.
Parado! Foi falta!
Foi!
Não foi!
Foi!
Não foi!
E o velho discurso do sapo tanoeiro sempre acabava em confusão!
– Ponta-pé pra todo lado... –
Revolta tragada por si própria...
Cinco minutos depois da desavença
Toda a criançada tomava Tubaína na venda da esquina
– Com o olho roxo, o joelho ralado e a roupa encardida de terra –
Parado!
E eu com a pena na mão tento insistentemente capturar
Um tema para um interior imaginário!
– Memorial de trégua à realidade –
Infância danada!
Foste com a Tubaína e a Venda
Para o fantástico mundo das memórias errantes
– Fuga incoercível de idéias e formas –
Danada infância!
Com doem as suas lembranças!


105 Sangria Maria Moura Volta Redonda/RJ

Sangro – é verdade – agora
mas estas lágrimas só vão inundar minha pele frágil
até se secarem na fonte
– é aqui que teu riso se demora...

Da tua boca solta na tarde é que se alimenta esse choro que arde
quando teu riso escorre no pranto meu e é fogo
que essa água tanta não apaga:
teu riso é onde minha lágrima não morre

Sangro – não é mentira – agora
mas esse sangrar não é vão: retalha minha pele frágil
até se secarem na fonte o meu e o teu sangue;
é nessas veias que me cortem que o teu sangue me envenena

– eu, que me ofereço em rituais para o banquete do teu corpo
e ao te saciar me torno faminta
– eu, que me quero retirar da tua mesa e me vejo presa na tua fome
– eu, que não sei descravar punhais (talvez já não os sinta)
e ao dar minha pele ao corte nem posso dizer que tua boca minta:
teu riso cedo avisava que minha sorte era morte


Sangro – é verdade – não é mentira agora
Mas é da última gota que vou estancar
e, despida da pele frágil, pôr-me nua aos teus olhos.
Não me reconhecerás:
estarei em carne viva, pronta para me curar
É por isso que sangro:
para renascer de dentro para fora e calar teu riso.
Sem demora. Agora


106 Silhueta Maria Moura Volta Redonda/RJ

A mulher apresenta sua silhueta ao vento
que contorna suas curvas femininas
e se demora no desenho de seu ventre

Seus braços se abrem para trás projetando seu corpo para frente
e seus seios já são alimento...

Mas a mulher não se curva em reverência ao Infinito:
eleva seu rosto aos céus e parece arquitetar um vôo
– ave que sempre foi...

Como poderá, agora, voar se a curva generosa
guarda-lhe a semente que não pára de crescer?

O amor se plantou dentro dela
e seu corpo de mulher madura é agora uma escultura...
Como, então, o atrevimento de bailar ao vento leve como menina?

Ah! Tem asas essa mulher que gargalha uma prece
enquanto se embriaga de poente...
Ela traga a luz do mundo
para acariciar o ser que traz no ventre
e embalar sua espera...

A mulher é uma sereia grávida de mar
escultura na areia
se preparando para parir sua criança
pedindo que ao nascer chorando já esteja compondo
um canto de amor à vida:
é imenso o amor que lhe guarda de herança...



107 Ausência Maria Moura Volta Redonda/RJ

A lembrança tua é acalanto
chuva calma no telhado
banho quente no inverno
lençol macio na pele nua.

A lembrança tua é alimento
pão fresco de manhã
livro interessante na estante
fruta madura ao alcance da mão.

A saudade tua é tormento
dor que o tempo não cura
frio que o agasalho não alivia
fome que não se sacia.

A saudade tua é açoite
medo que cresce dentro da noite
arritmia – nó na garganta
algema – bicho preso na corrente

A presença tua é água na fonte
é o que me une a alma ao corpo – ponte
é o que ri dentro de mim: festa
o que me projeta além de mim – horizonte


A presença tua é gemido novo – parto
manhã fresca, cheiro de mato
é paraíso, éden – o próprio céu...

Por que você não vem?


158 Pigmentofagia do parto ao cais Carolina Caetano Rio/RJ

Foi num processo civilizatório
Nação das pernas que em pele mapeara
Em quatro pares se oriundavam
Embaraçadas e estrangeiras em dúbio:
De que provinham onde não se tinham
De que engasgavam-se nós que se davam
Foi numa feitura de santidade nenhuma
E de todos os santos suor derramava
Qual revezarem-se em que coubessem os corpos
De que se achavam entre seus pertences
Pertences de carne e pele e mais nada
Desviolavam-se as quatro criaturas
Caricaturavam-se às costas as unhas
Barbáries rabiscadas a giz
Orgia em ternura cercada
No regaço no mato no leito
Rebentou-se o feito do despeito
Arrancando-lhes sumarentos pedaços
Branca demais pra ser preta demais para ser ruiva
Nua e fêmea recém-nata do taxo
Ainda quente pras suas texturas
Mole pra quaisquer molduras
De antropóloga suada e surrada desordem
Nem sexo ou terra ao barrinho nascido
Salgada de etnias em suas salivas
Cheirando a peixe e desnomeada
Borbulhava-lhe um mar ao meio
A liberdade que por seus olhos jorrava.


159 Raso que mar não sabe de nada Carolina Caetano Rio/RJ

E até onde veio
agora ele (não menos condensado)
justo ameno intranscendível
debruçado (menino) sobre meus braços
o tempo de outrora até aqui.
Não menos enriazado do que onde de imediato
corre-se a Deus e a diabo
vai-se ao que se faz vir

Lembrar então é mais fácil
lembra-se amniótico de lago
não mais o rio sobre o verniz
nos meus braços.
Gentil cessa o dia ante o outro
cede noite ao fim de noite
Lembrar é molhado o menino
de bolsas que não se estouram
parcas subjetivas
arrastam-se gramas de fotografias
arrastadas sobre o chão da língua

E até onde veio tempo de rio e varizes
de fim tempo mesmo de meios
e até onde cessa o rio (...)
Cessa não
Rio vertente de lago, claro, lembrar é mais fácil
E até onde veio
amanhã eu não sei.



160 Filosofia poética Larissa Loretti Rio/RJ

São apenas
indícios de querências...
Apenas uma centelha
sobre o trigal de afeto...
Afinal, nada mais santificado
do que os campos prontos
para a colheita...
A permanência é do encanto,
da atitude amorosa refeita!
Meu verso intervém
no repouso da paixão...
E se interliga
às forças eternas,
regentes da vida,
nas estrelas e no chão...
Nada de serpentes ou desdém...
Sou poeta que não se martiriza
nem se opõe
aos ditames do absurdo,
entre Tagore e Sade...
Vê muito além do pára-brisa
e se hospeda
na sala cheia da verdade...
sobe os degraus
mas sem pensar na queda...
E ultrapassa
as ondas
sobre a areia da memória.
(pluma sobre a argamassa)
e assinala no tempo
uma estrada e uma história!



161 Sensatez esquecida Larissa Loretti Rio/RJ

Agora,
depois da fluidez do tempo,
teu amor
é uma imagem inerte
dentro das lembranças...
Tudo se reduz
a um plano ultrapassado
de sonhos havidos,
de mortas esperanças,
de pouca sensatez...
A saudade habita
o subsolo da poesia...
Afora o silêncio da euforia,
são metáforas
que se escondem
na ante-sala da imaginação,
dos dias sucedidos,
da semente sem cair no chão...
E tão somente do arremedo hilário
desta paixão,
sem nome,
no escapulário da indignação!



169 O carteiro César Borralho Rio/RJ - Prêmio Francisco Igreja: publicação do poema vencedor nos sites da APPERJ e OFICINA; da publicação sem ônus, na coletânea PERFIL 2009 (Ano 20 da APPERJ); medalha Francisco Igreja; certificado de selecionado entre os 20 melhores textos do festival; certificado de Menção Honrosa 1° lugar, vencedor do Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro; kit de livros da OFICINA e 400 reais em dinheiro.


app Flávio Dórea, César Borralho

Nenhuma alegria ganhou asa na vida
e voou mais que um dia até virar felicidade.

É preciso estar atento, notar a melancolia, compreender
a regra do boêmio, rascunhar na pele o coração
em toda profundidade que dura o pensamento.

O passarinho traça no ar um único desenho quando
levanta frágil asa e cresce fora do próprio ninho.

Até o vaso mais bonito murcha a beleza da rosa
e o perfume esvai sozinho...
pela tarde mais feia de toda a primavera.

O tempo de um homem é mais que fevereiro
e quando a noite vem, o travesseiro recebe o peso
de um vazio que se acumulou.

É a tecedura de uma essência forte, por[em escura,
que tange como gado a vontade de morrer.

A criança escondida deixa entrar o carteiro
e a carta requer da alma o desespero de um peito infeliz.

E de repente a vida do poeta seja isto,
a obra inacabável de algo que nunca se consumiu.

Entrar nela é desvendar o mecanismo do trinco,
sair dela é sair dum labirinto.

Obs: apperjianos que concorreram ao Troféu Francisco Igreja
Luiz Otávio Oliani; Renata Paccola; Tatiana Alves; Cristina Abrantes; Lêda Miranda; Larissa Loretti

Outras informações pelos tel: Márcia Leite (21) 2447-0697 / Sérgio Gerônimo (21) 3328-4863.
Apoio cultural: www.oficinaeditores.com.br
Site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO


generico cialis levitra senza ricetta viagra costo levitra acquisto cialis senza ricetta kamagra acquisto cialis prezzo kamagra italia acquisto kamagra comprare viagra acquisto levitra acquisto viagra viagra generico viagra comprare viagra acquisto levitra prezzo generico viagra cialis generico levitra generico