XII Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja /2007/APPERJ
CLASSIFICAÇÃO FINAL


A Diretoria da APPERJ, Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, tem o prazer de comunicar aos candidatos a relação dos poetas (inscrição/título do poema/pseudônimo/nome/localidade) classificados das categorias Infantil, JuveniI e Adulto do XII Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja/2007.

Inscr.nº / título do poema / Pseud./nome/localidade
Categoria Infantil



072 / O tamanduá /André Lourenci/SC - 3° lugar, medalha Clea G. Halfeld, certificado
Tamanduá

Come formiga
Tem língua grande
Que coloca dentro do formigueiro
Para as formigas pegar...
É um animal bonito e esperto
Tem que ser ligeiro
Pra não ser mordido
No formigueiro...


172 / Vestido florido /Ana Laura D. Estellai / MG - Menção Honrosa
VESTIDO FLORIDO

O vestido de Ana
- é o vestido que ela ama –
é florido como um jardim:
tem o azul da cor do céu
e o verde da natureza.
Não é uma beleza?


176 / Vestido xadrez / Júlia Sales / MG - Menção Honrosa
VESTIDO XADREZ

Era uma vez...
Uma menina de nome Inez
Que tinha nome francês
E um vestido xadrez.


221 / A magia / Nathan de Oliveira (integrante do Grupo Artístico Poesia em Movimento) / RJ - 2° lugar, medalha Clea G. Halfeld, certificado
A magia

Eu sou um mágico.
A magia que uso
parece imaginação.
Eu uso magia
para alegrar o coração.
Tem gente que acha
que é imaginação.
Eu posso fazer tudo.
Uso magia nas coisas mais difíceis
Botar amor no coração
dos homens maus
Salvar a natureza
cada vez mais
A magia é feita
Para fazer o bem
Gostar dela
Amar além.
Eu sou mágico
Faço hoje
O amor brotar
E a alegria chegar

222 / Nascer / Matheus de Oliveira (integrante do Grupo Artístico Poesia em Movimento) / RJ - Menção Honrosa
Nascer

Nascer é uma forma de viver
de crescer como as árvores do mundo.
Viver é como brincar
no nosso mundo de felicidade.
Morrer é uma despedida
para outro lugar.
Nascer, Viver e Morrer
e
Poder ser feliz.


224 / A nossa linda vida / Juliana Silvares Canal (integrante do Grupo Artístico Poesia em Movimento) / RJ - 1° lugar
Prêmio publicação, medalha Clea G. Halfeld, certificado
A NOSSA LINDA VIDA

Quero ver se você adivinha!
Preste muita atenção.
Porque isso vai ser uma baita diversão!
Tem infância,
Tem adolescência,
Tem fase adulta,
Tem a fase dos idosos.
E muita diversão e alegria
É o que não falta no coração.
É tão grande
Que parece ser maior que o mundo.
Cabe num lugar pequeno e profundo,
Além dos nossos sonhos
Vem um novo mundo
É a imaginação
Debaixo do meu olhar.
Na minha mente
Ela é encontrada sentada
Pra me esperar.
Se você acha que a resposta
É a imaginação
Você não acertou.
É a vida
Tão grande
Que cabe num lugar pequeno
Que é a lágrima do meu olhar

Categoria Juvenil


106 / Cinco minutos / Erick Tristão / RJ - 2° lugar, medalha Clea G. Halfeld, certificado
Cinco minutos

O que são cinco minutos
Para quem vive entre prédios e muros?
Cinco minutos são quase nada
Para uma cidade tão agitada

O que são cinco minutos
Para quem vê bois e burros?
Cinco minutos são uma eternidade
Para uma vida de tranqüilidade

Cinco minutos voam como águia
Cinco minutos passam como o vento
Cinco minutos
rastejam
Cinco
Minutos
São
lentos


107 / Gota d’água / Nicole Luz / RJ - 3° lugar, medalha Clea G. Halfeld, certificado
Gota d´água

Água mata
Mata a sede
Cai na mata
Tempestade
Molha a terra
Terra suja
Terra limpa

Lava o mundo
Mundo gira
Força d´água
Água é vida
Vida corre
Corre o rio

Passa o tempo
Tempo quente
Cai a chuva
Lava a alma


109 / O Segredo do Colecionador / Luisa di Biasi / RJ - Menção Honrosa
O Segredo do Colecionador

Coleção de chaves
Coleção de pens de ave,
Coleção de canudo
(Há maluco para tudo!)

Neste mundo de coleções,
Vou até colecionar corações.

Coleção de chapéu,
Coleção de papel,
Coleção de colher
E até de mulher.

O segredo do colecionador
É não colecionar a dor.
É só ter coleções
Recheadas de boas emoções.


113 / Ganhei um presente / Ana Beatriz Cruz / RJ - Menção Honrosa
Ganhei um presente

O sol invade o quarto trazendo a claridade para meus olhos sonolentos.
O mau humor, presença constante, desperta com todas as forças.
Por que será que a vida traz de volta os mesmos momentos,
Como a decepção de ver no rosto mais uma acne aparecida?

Será este o destino de todas as moças?

O dia me espera com seus compromissos
Responsabilidades cobradas para quem,
há dias atrás,
Tinha a alegria como única obrigação.

Despeço-me de meus pais a caminho do serviço
E procuro contato com a turma que, como eu, vê na paz
A única saída para acalmar o coração.

Mas num momento inesperado
Um novo sentimento se faz amadurecer
Descubro que não sou tão carente
Posso não dar o que de mim é esperado
Mas é na força do adolescer
Que ganhei meu presente.

163 / Do tento e outra... / Carolina Caetano / SP - 1° lugar, Prêmio publicação, medalha Clea G. Halfeld, certificado
Do tento e outra bobagem

São guarda-sóis cravados na areia
E o regaço de idéia contida
Debruçado o corpo em sofismas
Pois que são só guarda-sóis e areia
E guarda-sóis não pensam em nada

São entrelinhas e transições
E o abrigo dos meios-termos
Estancado o corpo em abismos
Pois que são só entrelinhas e meios
E transições não levam a nada

São cobertas vazias na noite
E o retiro dos pêlos arrepiados
Desnutrido o corpo na ausência
Pois que são só quartos e noites
E cobertas não aquecem nada

São estrangeiros cravados em terra
E a nação de anseios infantis
Norteado o corpo em caos
Pois que são só guarda-sóis em teu peito
E amor não sossega por nada


168 /Li-mão / Jéssica F. Lima / SP - Menção Honrosa
Li-mão

Li na tua mão
Uma mensagem de adeus
Escrita em um azul
Da cor do céu: longe, inacessível.

Li na tua mão
A cegueira da distância
E que também ofuscou
Minha tão breve infância.

Li na tua mão
O sabor acre do destino
Em um sonho nordestino.

Li na tua mão
A acidez da vida
No azedo do limão.


Categoria Adulto
( 20 poemas classificados)


033 / Soneto do nascer / Vecchio Silva / Renato Alves / RJ
Soneto do nascer

Brilha ao longe uma luz no fim da estrada
Em que deslizo em contrações, cativo,
Vou migrando da bolha para o nada
Do destino refém, ou fugitivo.

Era bem calma há pouco esta morada,
Um ninho acolhedor, convidativo,
Eu – grão imerso em água abençoada –
Percorrendo o processo evolutivo

Mas, de repente, rompe-se o meu ninho,
Lançado longe, tinto, mais que o vinho,
Sou carregado, assim, de afogadilho...

Descerro os olhos: Há luz na saída!...
Os pulmões doem...Sorvo o ar da vida...
E ouço afinal a voz que diz: “Meu filho!”


056 / As tecelãs / Amália / Sarah de Oliveira / SP
As tecelãs

Tecem, tece no tear,
as mulheres tecelãs.
Tecem, tecem todo dia,
seus trabalhos com afã.
Cantam cantigas, antigas,
suas mágoas, seus desafetos,
suas indigências gritantes,
seus destinos tão incertos.
Dia e noite – noite e dia,
entram anos, passam os anos
no bater do tear cadenciado, uma canção
não tem fim esta orquestração.
Tecem, panos, tecem planos
que vão formando arabesco,
que parecem panos de altar...
A fábrica apita na manhã fria, são muitas Marias
que nas mãos hábeis confiam.
Deixam os filhos sozinhos em casa
e tecem a Cassa, que tem a candura d’alma.
No tear tecem as angústias,
no urdir da vida sem graça.
Debruçadas sobre os desenhos
entre sedas e algodão.
Entre os fios dos cônicais e as desventuras de tantos ais.
Levam a vida tecendo, entre tramas e urdumes,
para vestirem o mundo.
Vão cantando, vão sonhando,
sonho leve como a lã
tecem panos, tecem sonhos,
tecem os próprios amanhãs.

074 / A nau da vida / Íbis / Miguel Russowsky / SC - Menção Especial
A nau da vida

Eis-me aqui navegando!...O mar é o mundo!...
A nau da vida é parte de uma frota
que de esperanças fáceis se abarrota
e...inexoravelmente vai ao fundo.

Onde o céu não dá vivas à gaivota
e onde o sonho já nasce moribundo,
cheios de anseios e de amor fecundo
vós sois também escravos desta rota.

As ilusões se vão a passos largos
e os anos correm céleres e amargos
obedientes à voz dos evangelhos.

Um dia...eis senão quando...de repente
Os sonhos são cadáveres somente
E a nau chega a seu porto...Estamos velhos!

084 / Sou dos.../ Orquídea / Majda Hamad / PB
Sou dos...

Sou dos que preferem
a leveza do ser
Dos que procuram
pelo simples prazer

Sou daqueles
que gostam do orvalho
Que a vaidade seja
a última carta do baralho

Sou dos que amam o lírico
Que curtem o entardecer
Dos que detestam o poder político
Dos que aceitam dignos o envelhecer

Sou dos que comem a verdade
Dos que dormem seguros
Dos que choram saudades
Dos que amam no escuro.

091 / Incógnita / Jurandi / Sílvia Regina Lima /CE
Incógnita

“Quem é esse ser?
Sereia...
Guerreira, aventureira...
Que tece a vida, traça a vida, trama a vida...
Quem é essa figura?
Obscura criatura...
Madura, imatura...
Quem é esse pecado?
Também fado
Ser alado.
Tantas faces, tantos nomes...
Tantos sonhos, desencantos, tantas vidas noutras vidas,
Tantos planos, tantos atos, entreatos.
Entre quereres, fazeres, deveres...
Quem és tu, MULHER?

093 / O Cavaleiro das Sombras / Alighieri dos Anjos / ThiagoLuz / RJ
O Cavaleiro das Sombras

Nas tumbas tabernas que adentro,
A noite me toma em goles secos
De vil vinho em companhia
De errantes vultos e mentes vazias.

Embriago-me de foz em fora,
Alumiado que sou, filho da sombra,
Pela luz de isqueiros
E vozearia de corvos.

Nas tumbas tabernas que me perco
Pereço sem preço
E sem verdadeiro apreço.
Embriago-me de foz em fora
Pelas ruelas que inexistem sóbrias
E deságuam tempestuosas em cama solitária.

096 / O Funeral / Waldon John / Valdonez / RJ
O funeral

No funeral, nas flores e nas velas,
senti a presença da vida.
Vida que se finda, ou será que se inicia?

O funeral ficará esquecido, as velas derretidas,
as flores secas e os trajes negros.
Até a homenagem do adeus...

A partida esperada, o momento inesperado.
Lágrimas derramadas.
Decorrer interrompido.

O rosto imóvel sorrir, apenas em gesto.
Sinfonia com olhares tristes,
Mas e os seus corações e pensamentos?

Conversas baixas pelos cantos.
Nos rostos aglomerados, reconheço vários:
O olhar penoso de Antonio, a doce carícia de Maria.

O meu corpo é guiado.
A rua está tão normal, nem parece ser o meu fim.
O sol brilha tão igualmente que...

117 / Saudades tuas / Saudosista / Amalri Nascimento / RJ
Saudades tuas

De súbito
A saudade
Tua
Congelou minha alma
E meu olhar ficou preso
Nas cavernas sombrias que abrigam
Globos sequiosos por te ver.
Minhas lágrimas
Já não são gotas,
Mas cristais minados
De um teto gélido de gruta.
Estalactites
Estalagmites
E ao encontro dessas,
Colunas de sal me prendem
Nas saudades
Tuas!


121 / Taormina / Garça / Giselda Penteado / SP
Taormina

A beleza
entra pelos poros
e eu me sinto
atriz no teatro grego.

Suas escadarias
me levam
ao passado,
mas encontro
em seu topo
respostas indesejadas,
realidades ocultas
e vozes sombrias.

Onde os atores,
as luzes, as ricas roupagens,
onde as belas palavras
e o público atento?
Onde o perfil grego
e as bocas sicilianas?

Acendo velas do silêncio
em homenagem
aos deuses da cena,
beijo o chão de Taormina
e sinto
que as lavas do Etna
penetraram em minhas veias
insidiosamente.


125 / Um vestido de sonetos / Cursor Medieval / Reginaldo Costa / MS - 1° lugar, Prêmio publicação, certificado e medalha Francisco Igreja
Um vestido de sonetos

I
Sob a luz do lampião ela descansa,
cobre seu alvo corpo o sal do enredo
serenando-lhe o sono de criança,
e ainda corre em gotas, quedo e quedo...

Encostada à parede dorme mansa
e vã, a roupa que feri com o dedo,
quando ondulava deliciosa dança...
Pensei: - Agora!...Ela hesitou: - É cedo!...

O sonho desce...Um doce aroma emana
de exóticas flechinhas atiradas
por um cupido azul, de porcelana,

ornando a penteadeira entre almofadas...
Mexe-se...e um fino traço de sultana
molda-se pelas curvas delicadas

II
Na insônia porque passo e que me cala,
quis talhar-lhe um vestido de veludo
em lugar do outro, rico em pompa e gala,
pequeno, ideal, que não guardasse tudo...

Linha, tecido, agulha, onde há?...Contudo,
sobre este eventual papel opala,
costuro com um fio de ouro mudo
vinte e oito versos para acarinhá-la...

Ri...balbucia...o braço ao chão pendente...
A chama treme...morre delicadamente...
Fora, o sol já dardeja alto à janela.

Desperta... - Rápido! Vão lá sonetos!
Tramem rimas, quartetos e tercetos,
e ajustem-se à beleza e às formas dela!

140 / Colheita / Júpiter / Jósa Jasper / RJ
Colheita

Colho,
Colho cores, dimensões, formas, tamanhos...
Sons, timbres, intensidade, altura...
Tepidez, frio, calor; densidade, tessitura...
Paladares, gostos e sabores...
Ar, fragância, aroma, odores...
Vou colhendo e recolhendo.
É assim que vou vivendo.

Colho.
Meu olhar tudo perscruta!
Meu ouvido adere à luta!
A pele aceita ou repele,
cada ofensa ou gentileza!
A boca sorve e disputa
o beijo de uma princesa!
O nariz percebe a essência
pura e casta da inocência
ou o odor que ninguém quis:
pó-de-arroz de meretriz!

Colho.
Colho tudo que desejo!
É intercâmbio benfazejo,
quintessência dos sentidos,
unidos, numa só lida,
fertilizando mil lavras!
E, agricultando as palavras,
eu colho, acolho e recolho,
faço filtragens perfeitas
da mais rica das colheitas,
que o mundo chama de vida!

142 / Desinências e flexões / Sophia / Tatiana Alves / RJ - 3° lugar, certificado e medalha Francisco Igreja
Desinências e Flexões

“Vai ser coxo na vida é maldição para homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.”
(Adélia Prado)
Sou feminina e plural
Mulher-predicativos:
Mãe, amante, companheira, e
ainda cismo de escrever
Desdobro-me em mil facetas
Mas não me dobro à tristeza
Queimo arroz enquanto canto
E me atraso olhando a lua
Enquanto constato, bem nua
Que o vestido já não entra
Adentro palácios de sonhos
Choro em filmes de amor
Mas meu pranto não é de dor
Busco tesão e verdade
E, rumo à liberdade,
Descubro-me singular
Mulher é plural
Mas é única..
.

170 / Do Tempo / Ângelo Drummond / Marcelo J. Lopes / SP
Do tempo

Com um conta-gotas eterno
Ele dosa os segundos;
Forma as bolhas das horas,
A pluma dos dias.
É tão exato em sua
Matemática-melodia:
Refaz nossas vidas
E desfaz nossos planos
Nas nuvens dos anos.
Tentamos contê-lo
Nas grades frágeis
De nossas ampulhetas.
Tentamos vencê-lo
Com vãs tecnologias:
Cremes inúteis,
Tolas cirurgias.
Na verdade,
É ele que nos prende
De forma plena:
Em cada dia
Repousa em
Nossos braços
Sua sutil algema.

204 / A razão de ser poema / Mario / Souza / RN
A Razão de ser poema

Um grande poema não envelhece,
não cria rugas nem se enriquece
das ites nem da angústia humanas.

Nele há um tempo que facilmente se move
retrocede, permanece, se renova,
orbita refém dos seus versos e o habita;

nele as guerras, as epopéias, as construções,
os amores, as dores, os desabafos, as confissões...
não ressuscitam visto que não morrem;

nele se engrenam células sobre células
compondo tecidos e órgãos de um corpo
que mutilado perderá a razão e o escopo,

- no entanto, não perderá sua função de vida
visto que é feito água quando repartida:
se reúne sem cicatrizes e mantém o que o anima;

nele há uma dimensão própria e particular
cuja existência não se explica simplesmente
posto que é uma fotografia com movimentos latentes;

nele há um elemento pronto para se revelar
carbono claro e continuadamente conclusivo,
se o buscares de modo real ou alusivo.

207 / Reciclando Retalhos / Joelle / Jane Eckstein / RJ
Reciclando retalhos

Velhos álbuns de fotografias se desfazem com o tempo.
Tomados por fungos, amarelecidos, carcomidos.
Fotos, lembranças dos tempos de criança, cenas juvenis, sentimentos pueris...
Refaço caminhos. Destruo os álbuns, resgato as fotos.
Como se quisesse resgatar a própria vida:
- Refazer laços, rever lugares, revisitar convivências...
Reorganizo: a nova ordem não muda histórias. Relembro, busco na memória trajetórias de seres, que já sem o corpo conhecido, seguem seus próprios mistérios.
Conseqüências de suas próprias consciências...
Revejo sonhos, decepções, alegrias, esperanças.
Beleza, tristeza, ilusão, nostalgia...
Viajo no tempo, alinhavando sentimentos.
Reciclando retalhos...

239 / A noite de uma grande perda / Julio / Julio Treiger / SP
A noite de uma grande perda

A volta escura da noite, embriagada em agonia,
libera em seu açoite a forma da fantasia.

Quisera saber o que espera a dor que altera a alegria
e assim sentindo soubera a que amor a forma servia.

Ousara entender inocente, mas não entendo, exaspero
e no pranto transformo a mente e de muito chorar já pondero.

Naquela noite inclemente, insone em minha coberta,
o despertar insistente é frio vazio que alerta.

Oh! Coisa ruim que meneia na ausência fria da mente,
Qual turba insensata passeia em tão vaga luz, tão carente.

Que neste engano a espera que a mente insana procura:
-- naquilo que mais quisera é onde mais fica escura.

Oh! Noite insone obscura, levando minha alma ausente,
Põe no meu peito a textura da densa forma presente.

E molda na minha queda – que num sentido eu morria –
na forma fria da pedra, minha paixão que sofria.

E enquanto o sono não vem, na sombra clara da aurora,
Razões sem par, sem ninguém, nas sobras que vão embora.

E no dia que nasce doido, espasmos sobrando carentes
de mais um amor perdido, se espalham em minha mente...

241 / A razão do poema / Carmém Hernandez / Eurídice Hespanhol / RJ - 2° lugar, medalha Francisco Igreja, certificado, Troféu Francisco Igreja com prêmio publicação e melhor intérprete (medalha)
A razão do poema

De que é feito o poema?
Barro de essência invisível?
Nuvens de tons arcoirizados?
Elementos dispersos,
pelo poeta magnetizados?
Ou densa identidade
de expressão incontida?
O poema é amante,
sentimento levitante.
Viagem santa e atrevida
Pulso de um sonho em prece
Aborto, parto, nascente
O poema é só palavra
E o poeta: inconseqüente...

243 / A Disputa entre o Tudo e o Nada / José Renato / Iara Mola / SP
A disputa entre o tudo e o nada

Deste lado tenho Tudo.
Deste outro vejo Nada.
Tudo está em todo mundo,
Nada faz pra não ser nada.

Tudo pulsa no planeta,
Nada anda na calçada.
Nada faz pra ser de tudo,
Tudo faz pra não ser nada.

Nada está sempre perdido
Tudo tem a direção.
Nada é o impossível,
Tudo encontra a solução.

Tudo muda o tempo todo
e nada há que o desfaça.
Tudo diz que Nada fica
Porque tudo sempre passa...

E o nada já cansado
Com o “Tudo meritório”,
Diz que nada é eterno:
“Tudo é sempre transitório.”

E assim será por muito tempo
No planeta o nosso arquivo:
Nada vem a Deus dará;
Tudo tem o seu motivo.

264 / Como se quebra a noz / Amapola / Mariza Baur / SP
como se quebra a noz

você quebrou o silêncio, depois quebrou o sonho
e eu quebrei a cara
vou recolher os meus pedaços
as cascas deixar que o vento as leve
em Paraty ouço a suíte
já sem vontade de dançar o tango
el dia que me quieras
na cama de Paris, nossa semente esmigalhada
não vou chorar
o peito arfa, a boca treme, os olhos ardem
violinos gemem sob os plátanos, manhã de sol na Madeleine
manhã de sol em Sampa, a abelha fere a rosa rubra
o sangue jorra, a vida continua
o Minuano sopra, a borboleta voa, explodem azaléias
a rosa vive
o quebra-nozes? jamais será o mesmo

267 / Poesia na terra da garoa / Paulistano / FilippoValiante Fº / SP
Poesia na terra da garoa

concreto
antítese do lírico
cimento da modernidade
pá de cal na loucura da cidade
pedra que tinha no caminho
um lírio plantado na areia

água que falta
água que afoga

 

O encerramento do concurso aconteceu dia 27 de setembro de 2007, às 16:30h, no Auditório Machado de Assis, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Ao apperjiano mais bem classificado foi ofertado o Troféu Francisco Igreja, idealizador da APPERJ, nesta edição concorrem ao troféu os apperjianos: Miguel Russowsky / SC; Jósa Jasper / RJ; Tatiana Alves / RJ; Julio Treiger / SP; Eurídice Hespanhol / RJ

Eurídice Hespanhol foi a premiada

Menção Especial: Miguel Russowsky pelo conjunto de poemas classificados em 8 concursos, sempre entre os 20 melhores textos.

Melhores Intérpretes: Messody Benoliel, interpretando Colheita (de Jósa Jasper); José Amalri; Eurídice Hespanhol, interpretando seus próprios poemas respectivamente.

Seleção realizada pelos poetas apperjianos: Glenda Maier (cronista, ex-presidente da APPERJ, seis livros publicados); Flávio Dórea (estilista, cronista, dois livros publicados).

Juri de classificação: Antonio Olinto (poeta, membro da Academia Brasileira de Letras); Cláudio Aguiar (contista, membro da União Brasileira de Escritores); Silvio Ribeiro de Castro (poeta, integrante do Grupo Poesia Simplesmente - um dos coordenadores do Festival Carioca de Poesia).

Juri de melhores intérpretes: Antonio Olinto; Beth Almeida; Artur Gomes

Aproveitamos a oportunidade para convidar os poetas selecionados e classificados a participarem da coletânea PERFIL – 2008. Orçamento por página: 110 reais. A cada página retorno de 10 exemplares, como direitos autorais. Mais informações pelo e-mail: apperj@apperj.com.br

Parabéns a todos e sucesso!


Outras informações pelos tel: Márcia Leite (21) 2447-0697 / Sérgio Gerônimo (21) 3328-4863.
Apoio cultural: OFICINA Editores - a todos os classificados foi ofertado o kit literário OFICINA: exemplar de Caderno de Poesia OFICINA 33; Revista Literária Plural n° 2; OFICINA Agenda Literária 2007 - Anima; Perfil 2007 e Belabun (de Sérgio Gerônimo).

Apoio cultural: